O julgamento do ex-vereador e tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Marcos Eduardo Ticianel Paccola, acusado de matar a tiros o policial penal Alexandre Miyagawa de Barros, foi adiado novamente pela Justiça de Mato Grosso. O Tribunal do Júri, que estava marcado para 22 de outubro, foi remarcado para 17 de novembro de 2026, às 9h, em Cuiabá.
A decisão foi tomada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. No despacho, a magistrada justificou a mudança pela necessidade de “readequação da pauta”.
Esta é a terceira alteração na data do julgamento. Inicialmente, o júri havia sido marcado para 27 de agosto. Dois dias antes da sessão, porém, os advogados que defendiam Paccola deixaram o caso, o que levou à suspensão do julgamento e à definição de uma nova data, 22 de outubro.
Com a entrada do advogado Cláudio Dalledone na defesa, um novo pedido de adiamento foi apresentado. O defensor informou à Justiça que já tinha outro julgamento marcado para 22 de outubro, no Rio de Janeiro, e que os dois compromissos seriam incompatíveis. Segundo a defesa, o júri no Rio havia sido agendado mais de cinco meses antes da nova data estabelecida para o caso Paccola.
Defesa também pede afastamento da juíza
Além da mudança na data, Dalledone pediu que a juíza Mônica Perri seja afastada da condução do julgamento.
O pedido tem como fundamento um conflito ocorrido durante outro Tribunal do Júri, em dezembro de 2025, quando o advogado defendia o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Gonçalves em um julgamento presidido pela mesma magistrada.
Após divergências durante aquela sessão, Dalledone já havia questionado a permanência de Perri na condução do caso. A questão chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ainda está em análise. No processo de Paccola, o pedido de afastamento da magistrada ainda não foi decidido.
A defesa também solicitou acesso integral às provas apreendidas durante a investigação, incluindo celulares e arquivos digitais, além de análise das armas recolhidas e da substituição de uma testemunha por um especialista técnico.
Paccola responde pela morte de policial penal
Paccola é acusado pelo Ministério Público de Mato Grosso de matar Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”, em 1º de julho de 2022, no bairro Quilombo, em Cuiabá.
Segundo a acusação, Alexandre estava envolvido em uma discussão na rua e tentava conter uma mulher quando foi atingido pelos disparos efetuados por Paccola. A denúncia sustenta que o policial penal foi baleado pelas costas e não representava risco no momento dos tiros.
A defesa, por outro lado, sustenta que Paccola agiu em legítima defesa própria e de terceiros, versão que deverá ser apresentada aos jurados durante o julgamento.
A Justiça decidiu em 2024 que o ex-vereador deveria ser submetido ao Tribunal do Júri. A decisão foi posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso e pelo Superior Tribunal de Justiça. Após a morte de Alexandre, Paccola também teve o mandato de vereador cassado pela Câmara de Cuiabá.
Com a nova alteração, o julgamento está previsto para 17 de novembro, às 9h, no Fórum de Cuiabá.




















