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TERCEIRO DIA

Advogado de Hedilerson diz que réu não sabia do crime e critica inversão do ônus da prova

O advogado disse ainda que a defesa pretende questionar a forma como determinadas confissões e declarações foram obtidas durante a investigação

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O advogado Francisco Arruda, que integra a defesa de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, afirmou nesta quinta-feira (1º), durante o terceiro dia do julgamento do assassinato do advogado Roberto Zampieri, que espera a absolvição do cliente. Hedilerson é acusado pelo Ministério Público de ter fornecido a arma usada no crime e de auxiliar na execução.

Em entrevista antes do início dos debates, Francisco sustentou que não há provas capazes de demonstrar a participação de Hedilerson no planejamento ou na execução do homicídio. Segundo ele, a própria conduta do réu após o crime reforçaria a tese apresentada pela defesa.

“Nada, absolutamente nada, que comprove o envolvimento dele tanto prévio quanto após a morte”, afirmou.

O advogado também disse que Hedilerson não teria tentado fugir após ser procurado pelas autoridades. Conforme o relato da defesa, ele manteve contato com os policiais e posteriormente foi espontaneamente ao encontro deles.

“Em nenhum momento ele fugiu, pelo contrário. Ele falou com os policiais por telefone e falou: ‘olha, só um momento, espera um pouquinho que eu estou ocupado e eu vou te atender’. E assim ele foi ao encontro dos policiais”, declarou.

Fracisco também mencionou a situação de Antônio Gomes da Silva, réu confesso e apontado como o executor dos disparos. Para a defesa de Hedilerson, a participação confessada por Antônio não seria suficiente para vincular seu cliente ao assassinato.

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O advogado citou ainda o fato de Antônio ter utilizado a arma posteriormente, em uma viagem, como um dos elementos que, na avaliação da defesa, precisam ser considerados durante o julgamento.

“Uma pessoa em sã consciência nunca faria uma situação dessa, utilizar uma arma, fazer um registro de uma arma, até com todas as burocracias que tem no aeroporto”, disse.

Francisco também confirmou que pretende abordar, durante os debates desta quinta-feira, as alegações apresentadas pela defesa do coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas sobre supostas torturas físicas e psicológicas durante a investigação.

Segundo o advogado, há elementos nos autos que, na visão da defesa, precisam ser esclarecidos pelos jurados.

“Existe uma situação muito complicada dessa situação. (…) Se você pegar os autos e pegar toda a prova, alguma coisa estranha existiu”, afirmou.

O advogado disse ainda que a defesa pretende questionar a forma como determinadas confissões e declarações foram obtidas durante a investigação.

Defesa aposta na absolvição

Ao falar sobre a estratégia para o terceiro dia de julgamento, o advogado afirmou que pretende demonstrar que não existem elementos suficientes para responsabilizar Hedilerson pelo assassinato de Zampieri.

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Para Arruda, caberia ao Ministério Público apresentar provas concretas da participação do acusado, tanto antes quanto depois do homicídio.

“O MP que precisa provar o envolvimento dele, o MP que precisa mostrar onde ele estava no local do crime, o MP que precisa provar que a situação do envolvimento dele, tanto prévio quanto pós, isso não tem”, afirmou.

O advogado também criticou o que considera uma inversão do ônus da prova durante o processo criminal, afirmando que a defesa acaba tendo de demonstrar a inocência do acusado.

“A defesa vem para poder provar. (…) Você precisa provar que aquela pessoa não cometeu, você precisa provar uma verdade, e deveria no Brasil ser o contrário”, declarou.

O julgamento é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Além de Hedilerson, estão no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como executor dos disparos, e o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de atuar como financiador e articulador da contratação para o assassinato de Roberto Zampieri.

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