A expansão das concessões rodoviárias e a cobrança de tarifas dos motoristas foram alvo de críticas do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante). Em debate realizado nesta quinta-feira (3), ele questionou a lógica de cobrar pedágio da população depois de o poder público já arrecadar impostos destinados, entre outras finalidades, ao financiamento da infraestrutura.
Na avaliação do candidato, o modelo faz com que parte dos custos das rodovias recaia novamente sobre quem já contribui com o Estado. A discussão, segundo ele, não deve se limitar à existência de estradas melhores, mas também considerar quem efetivamente está pagando por essas melhorias.
Galvan contestou ainda o uso de financiamentos como justificativa para investimentos realizados nas rodovias. Ao mencionar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ressaltou que os valores disponibilizados não representam recursos gratuitos.
“BNDES é dinheiro de banco. Você pega o dinheiro emprestado, você tem que pagar”, afirmou.
O candidato sustentou que a manutenção da malha rodoviária não pode simplesmente ser repassada aos usuários por meio das tarifas.
“Hoje o governo está passando para o cidadão a responsabilidade de manter as rodovias e ainda cobrando pedágio”, disse.
A crítica foi direcionada principalmente ao peso acumulado das cobranças. Para Galvan, o motorista paga impostos e, ao utilizar determinados trechos concedidos, precisa desembolsar novamente para trafegar pelas estradas.
“O governo está virando um arrecadador”, declarou.
No debate, Galvan também trouxe a discussão para Mato Grosso, estado em que importantes corredores utilizados para o transporte de pessoas e para o escoamento da produção possuem trechos concedidos. Ele defendeu que o custo das tarifas e a origem dos recursos empregados nas obras sejam considerados antes da adoção ou ampliação das cobranças.
O candidato argumentou que o impacto não fica restrito ao motorista que eventualmente passa por uma praça de pedágio. Para ele, os valores cobrados nas rodovias também pesam sobre produtores, transportadores e empresas que dependem das estradas regularmente.
Galvan usou o tema para reforçar uma das bandeiras apresentadas por sua candidatura ao Senado: ampliar a fiscalização sobre a aplicação do dinheiro público e combater medidas que, em sua avaliação, aumentem os custos suportados pela população.
“Eu estou aqui justamente para fazer essa diferença”, concluiu.


















