O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a possibilidade de expulsão de prefeitos do partido que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Para ele, uma eventual punição seria “radical” e poderia ampliar a divisão interna da legenda.
Abilio questionou a cobrança de fidelidade feita pelo PL aos gestores municipais, principalmente porque integrantes de outras siglas que fazem parte do mesmo arco político também declararam apoio a Pivetta sem sofrer sanções.
O prefeito citou os deputados estaduais Thiago Silva e Dr. João, ambos do MDB, como exemplos. Também lembrou um evento realizado em Jaciara, no qual a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, esteve no mesmo palanque que Pivetta e o deputado Max Russi (Podemos).
“Eu não acredito que deve tomar essa medida radicalizando apenas com o PL, enquanto os outros partidos que fazem parte do mesmo arco de aliança estão ali apoiando o outro lado e não têm nenhuma penalidade”, afirmou.
Na avaliação de Abilio, a situação enfraquece o discurso de fidelidade partidária adotado pelo PL para cobrar alinhamento dos prefeitos.
“Essa hipocrisia de fidelidade partidária tinha caído por terra ali naquele mesmo momento”, disparou.
Entre os integrantes do PL que já declararam apoio a Pivetta estão Flávia Moretti, prefeita de Várzea Grande; Cláudio Ferreira, prefeito de Rondonópolis; e Sérgio Machnic, prefeito de Primavera do Leste. Os três contrariaram a orientação da legenda, que lançou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo.
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, afirmou que os procedimentos internos foram encaminhados ao jurídico do partido e que os envolvidos terão direito à defesa. Ao final da apuração, o relator poderá recomendar medidas disciplinares, inclusive expulsão.
Apesar de defender os prefeitos, Abilio afirmou que mantém seu apoio à candidatura de Wellington.
“Minha decisão já foi tomada, meu posicionamento já foi tomado. Não vou voltar a ficar discutindo essa situação, mas acredito que a penalidade de expulsar do partido seria muito radical. E o próprio Wellington, eu acho que não vai para esse rumo”, declarou.
Para o prefeito, uma postura mais dura do partido pode ter efeito contrário e reduzir ainda mais o apoio à candidatura de Wellington.
“Qualquer tipo de ameaça que você fizer sobre isso, você não vai conquistar o voto. Você vai simplesmente perder mais apoiadores ainda do que aqueles que você está fazendo”, afirmou.
Abilio também lembrou declarações anteriores de Wellington de que apoio político não deveria ser conquistado por imposição ou obrigação. Na avaliação do prefeito, insistir na punição aos gestores neste momento seria uma estratégia equivocada e poderia aprofundar a crise interna do PL.“Não é inteligente”, finalizou.


















