O presidente da Câmara de Várzea Grande, vereador Vanderley Cerqueira, denunciou à Polícia Civil uma suposta invasão aos sistemas internos do Legislativo e afirmou que passou a ser seguido por um carro que, segundo informações recebidas por ele, estaria utilizando uma “placa fria”.
Vanderley relatou que recebeu, no domingo, uma ligação informando que um servidor da Câmara teria repassado a senha de acesso aos sistemas internos para terceiros. A informação recebida por ele era de que um hacker teria usado a credencial para entrar no sistema da Casa.
O boletim de ocorrência registrado pelo vereador confirma que a denúncia apresentada à polícia envolve possível repasse de senha, acesso indevido aos sistemas internos e utilização das informações para eventual produção ou manipulação de documentos e acusações.
Segundo Vanderley, entre as acusações que teriam sido produzidas a partir desse material estariam suspeitas de desvio de cerca de R$ 1 milhão em contrato, nepotismo e irregularidades em processos licitatórios.
O presidente negou qualquer irregularidade e afirmou que, assim que tomou conhecimento do possível acesso, comunicou a direção-geral da Câmara e determinou a adoção de providências.
“Se tem um servidor da Câmara que tá fornecendo senha e um hacker entra no sistema nosso, é uma denúncia muito grave”, afirmou.
De acordo com Vanderley, a empresa responsável pelo sistema da Câmara foi acionada e uma auditoria foi solicitada para verificar se houve invasão, quais acessos foram realizados e se houve comprometimento de dados.
O vereador disse que a preocupação principal não está relacionada à exposição de contratos, mas à possibilidade de manipulação das informações obtidas no sistema.
“A preocupação maior nossa é justamente com a montagem, com a manipulação de verdade, não com o que fizemos ou deixamos de fazer aqui na Câmara”, declarou.
Vanderley também afirmou que teria sido informado sobre a existência de um suposto dossiê contra ele e voltou a negar as acusações.
“Não tô preocupado com o dossiê porque eu não devo nada.”
O parlamentar relatou ainda um episódio que aumentou a preocupação com a própria segurança. Segundo ele, um Volkswagen Polo de cor chumbo teria sido visto seguindo seus deslocamentos.
Vanderley disse que o carro apareceu inicialmente nas proximidades da residência do filho e, posteriormente, perto da casa da mãe dele.
Segundo o presidente, pessoas próximas buscaram informações sobre a placa do veículo e teriam sido informadas de que se tratava de uma “placa fria”. Essa parte do relato foi feita pelo vereador, mas não aparece no boletim de ocorrência apresentado.
“Eu não sei se é bandido, se quer me matar, se quer me roubar, eu não sei. Agora, se for polícia, Deus abençoe que seja. Mas polícia com placa fria?”, afirmou.
O boletim foi registrado sob o número 2026.294721 e aponta inicialmente o artigo 154-A do Código Penal, que trata de invasão de dispositivo informático. O documento também solicita apuração dos acessos, identificação dos responsáveis e preservação de evidências digitais.
Vanderley afirmou ainda não temer eventual investigação sobre sua gestão e disse que a Câmara está aberta à fiscalização.


















