A propaganda eleitoral dos principais candidatos ao Governo de Mato Grosso exibida nesta sexta-feira (4) reforçou três discursos distintos na corrida pelo Palácio Paiaguás. Enquanto o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) utilizou o espaço para apresentar resultados da atual gestão e defender a continuidade, a candidata Natasha Slhessarenko (PSD) adotou um discurso de mudança, com críticas à aplicação dos recursos públicos. Já Wellington Fagundes (PL) reforçou a própria trajetória política e a defesa de um Estado que transforme a força do agronegócio em desenvolvimento para a população.
No programa de Pivetta, a educação ocupou posição central. A campanha resgatou a trajetória pessoal do governador, sua experiência como prefeito de Lucas do Rio Verde e a influência da mãe, Margarida Pivetta, que foi professora.
A narrativa foi utilizada para associar a história familiar de Pivetta às transformações apresentadas na educação pública de Mato Grosso. O programa destacou a construção de 50 novas escolas, o intercâmbio de estudantes da rede pública e a promessa de continuidade dos investimentos.
“Eu sei o poder de transformação que a educação tem. Nós queremos que muitas jovens como essa tenham oportunidade”, afirmou Pivetta.
O governador também apresentou a atual gestão como responsável por uma mudança estrutural no Estado. Ao relembrar o cenário encontrado no início da administração, afirmou que as contas foram reorganizadas e que Mato Grosso entrou em um ciclo de desenvolvimento.
“Pegamos um Estado quebrado, reorganizamos o Estado de Mato Grosso e estamos numa trajetória de prosperidade, de desenvolvimento”, declarou.
A campanha também explorou a infraestrutura como marca da gestão, com a menção a milhares de quilômetros de novas estradas. Para os próximos quatro anos, Pivetta prometeu manter o ritmo de investimentos na educação, incluindo internet para as escolas, distribuição de chromebooks e construção de outras 50 unidades.
Natasha mira dinheiro público
Natasha, por outro lado, estruturou a propaganda em torno da pergunta sobre como o dinheiro arrecadado por Mato Grosso está sendo utilizado.
O programa parte da força econômica do Estado — um dos principais produtores agropecuários do país — para questionar se essa riqueza estaria se convertendo em serviços públicos de qualidade.
“Mato Grosso é um dos estados mais ricos do Brasil, um estado que produz, que exporta, arrecada, uma das maiores potências econômicas do país. Mas, quando o dinheiro público cresce, cresce também uma pergunta: esse dinheiro está chegando onde realmente importa?”, questionou.
A candidata direcionou as críticas principalmente para saúde e segurança, apresentando relatos de pessoas que enfrentam dificuldades para conseguir consultas, exames e atendimento médico.
Na avaliação de Natasha, o problema não seria a falta de recursos, mas a definição das prioridades da administração.
“O problema desse governo não é quanto dinheiro ele tem, mas como ele gasta esse dinheiro. Cada real público deve gerar resultado”, afirmou.
O programa também reforçou a imagem de Natasha como empresária e gestora. Ela associou sua experiência na administração de uma empresa à responsabilidade de definir prioridades e cobrar resultados.
Entre as áreas apresentadas como prioritárias estão saúde, educação, segurança pública, agricultura familiar, geração de oportunidades e segurança alimentar.
A candidata ainda colocou o combate à corrupção como uma das principais bandeiras e prometeu rever a forma como os recursos públicos são administrados.
“Vamos fazer diferente. Vamos cuidar de gente”, concluiu.
Wellington reforça experiência
Wellington Fagundes adotou uma linha semelhante à apresentada desde a estreia de sua propaganda eleitoral: explorar a experiência acumulada em décadas de vida pública e construir uma imagem de candidato próximo da população e dos municípios. Na estreia, o candidato já havia usado o agronegócio como ponto de partida para defender industrialização, tecnologia e geração de empregos.
A estratégia também procura contrapor o crescimento econômico de Mato Grosso aos desafios enfrentados pela população. A campanha de Wellington tem sustentado que o Estado não pode ser resumido aos números da produção e da arrecadação.
“Nosso Estado não é só planilha e números. Mato Grosso é a nossa gente”, afirmou o candidato em sua propaganda.
O discurso combina a defesa do agronegócio com uma proposta de distribuição dos efeitos da riqueza produzida no Estado.
“Nosso Estado é um celeiro do mundo, mas é preciso ter humanidade para distribuir essa riqueza para nós aqui”, declarou Wellington.
O candidato também tem utilizado sua trajetória de viagens pelo interior como argumento para se apresentar como alguém que conhece as diferentes realidades de Mato Grosso. “Gastei a sola do meu sapato percorrendo todo o Estado”, afirmou em sua primeira peça eleitoral.
A propaganda desta sexta ocorre ainda em um momento de forte disputa direta entre Wellington e Pivetta. Nesta sexta-feira, a Justiça Eleitoral rejeitou a impugnação apresentada pela coligação de Wellington contra o registro da candidatura de Pivetta, mantendo o governador na disputa.


















