O advogado Eustáquio Neto, que representa Maria Angélica, reagiu nesta quinta-feira (1º) às sucessivas citações ao nome dela durante o julgamento dos acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá. Segundo ele, as defesas dos réus vêm tentando relacionar a cliente ao crime, embora ela tenha deixado de ser investigada como suspeita ao longo da apuração da Polícia Civil e não tenha sido denunciada pelo Ministério Público.
“Todos eles sabem que a Maria Angélica não cometeu nenhum crime, não participou de nenhum crime e é lamentável que, em ato de desespero, eles continuem ainda usando o nome da Maria Angélica”, afirmou.
Maria Angélica chegou a ser presa temporariamente durante as investigações sobre o assassinato de Zampieri. De acordo com Eustáquio, porém, a Polícia Civil concluiu a investigação sem indiciá-la. O advogado também destacou que o Ministério Público de Mato Grosso não a incluiu na denúncia apresentada contra os acusados e teria dedicado um tópico específico para explicar a decisão.
“A Maria Angélica foi suspeita no início, porém depois demonstrou, por A mais B, que não tinha nenhum tipo de participação”, disse.
Segundo o advogado, a prisão deixou consequências pessoais para a cliente, que é de Minas Gerais e, conforme relatou, tem dois filhos pequenos. Eustáquio afirmou que Maria Angélica ficou 30 dias presa e ainda enfrenta dificuldades por causa da associação do nome dela ao assassinato.
“Ela teve a honra manchada e hoje está numa situação com duas crianças, uma de dois anos e uma de sete anos. Não pode nem sair na rua porque ainda fica aquela pecha de que seria a mandante de um crime”, declarou.
Defesa de Antônio cita mulher
O nome de Maria Angélica voltou a aparecer durante os interrogatórios dos réus e, mais recentemente, na declaração do advogado Nilton Ribeiro, que defende Antônio Gomes da Silva.
Nesta quinta-feira, Nilton afirmou que o cliente teria confidenciado a ele que uma mulher o teria levado a cometer o homicídio, mas disse que não poderia revelar a identidade por se tratar de uma informação protegida pela relação entre advogado e cliente.
A declaração ocorreu depois de o nome de Maria Angélica ter sido mencionado durante o interrogatório de Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Segundo Eustáquio, contudo, a primeira versão apresentada por Antônio durante a investigação apontava para um homem ou homens como possíveis mandantes e, segundo ele, o réu não teria mencionado Maria Angélica mesmo após ser questionado pelas autoridades.
“Em momento nenhum, muito embora a autoridade policial tenha perguntado por várias vezes, ele falou sequer que conhecia Maria Angélica”, afirmou.
O advogado disse ainda que esse contexto contribuiu para que a prisão de Maria Angélica não fosse prorrogada e, posteriormente, para que ela não fosse indiciada ou denunciada.
Pedido para reabrir investigação
Eustáquio também revelou que um dos advogados de Antônio teria procurado a defesa de Maria Angélica durante o processo, alegando que Caçadini queria conversar sobre o caso. Segundo ele, o contato não avançou porque a defesa entendeu que não havia assunto a ser tratado.
Posteriormente, conforme relatou, o mesmo advogado apresentou um pedido para reabrir as investigações envolvendo Maria Angélica. O pedido, segundo Eustáquio, foi negado pela Justiça.
O advogado afirmou ainda que apresentou uma representação contra o profissional na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais por considerar a conduta antiética.
Outra acusação citada pela defesa
O advogado também contestou a utilização, durante o julgamento, de declarações atribuídas a Evelci Rossi, quem teria relacionado Maria Angélica à morte de Zampieri.
Segundo Eustáquio, Eveci teria prestado depoimento voluntariamente à Polícia Civil levantando a suspeita contra Maria Angélica após um conflito relacionado à compra de uma fazenda no município de Ribeirão Cascalheira (MT).
O advogado afirmou que Zampieri havia atuado inicialmente como advogado de Maria Angélica e posteriormente teria passado a representar a Evelci na disputa, o que teria provocado o encerramento do contrato anterior.
Na avaliação de Eustáquio, a acusação teria sido motivada pelo conflito comercial e pela disputa envolvendo a propriedade rural.
Ao final, o advogado voltou a pedir que o nome de sua cliente seja retirado das discussões sobre o homicídio.
“Cada um tem o direito de se defender como achar que deve. O que eu não acho justo é colocar uma pessoa sabidamente inocente no meio disso”, afirmou.





















