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DETONOU CANDIDATA

Delegada detona troca na chapa de Janaína: “Uma farsa, uma montagem, um teatro”

A composição acabou sofrendo nova alteração nos momentos finais do prazo, segundo o relato da delegada

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A delegada Ana Cristina Feldner expôs os bastidores da formação da chapa de Janaína Riva (MDB) ao Senado e questionou a forma como foi convidada para ser suplente e, posteriormente, retirada da composição. Segundo Feldner, seu nome foi apresentado publicamente como primeira suplente, mas nunca chegou a ser oficialmente registrado, enquanto a substituição teria ocorrido nos últimos dias do prazo eleitoral.

Em seu relato, a delegada afirma que recebeu uma ligação de Janaína Riva justamente quando faltava apenas um dia para a apresentação da chapa. O convite, feito em cima da hora, inicialmente causou estranheza, mas Feldner decidiu acreditar na justificativa apresentada pela candidata.

“Eu estava trabalhando quando meu celular toca, Janaína Riva. Faltava um dia, acompanhe a história e a cronologia. Faltava, era exatamente o último dia para apresentar um suplente. Achei estranho num primeiro momento. Estamos falando de uma política profissional. Ela tem mais de uma década, 12 anos. Até onde eu sei, não tenho informações de outra profissão que ela tenha exercido, a não ser ali na Assembleia. Veio de uma família com pai, dentro da política. Então ela é uma política profissional. Precisar da suplente no último dia?”, relatou.

A partir do momento em que passou a participar mais ativamente do projeto, entretanto, Feldner afirma que percebeu uma mudança no tratamento recebido. Ela diz que não aceitaria ocupar uma posição meramente decorativa e começou a buscar informações e participar das discussões relacionadas à candidatura.

“Mas eu ainda acreditava na fala, que era uma mulher sozinha na Assembleia, e que de repente aconteceu algum problema e que, de alguma forma, eu pudesse contribuir e ajudar naquele projeto que eu acreditava. O que mudou? Eu comecei a me envolver, assim como eu sou em tudo. Eu jamais ficaria só ali de fantoche. E neste movimento de interação, de entender das coisas que se tratam, eu comecei a ser escanteada”, afirmou.

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Segundo a delegada, o distanciamento teria sido acompanhado por uma série de dificuldades para estabelecer contato com a própria campanha. Ligações e mensagens, de acordo com ela, passaram a ficar sem resposta, enquanto assessores a encaminhavam sucessivamente para outros interlocutores.

“Comecei a notar uma preocupação e um desconforto. Minhas ligações não eram atendidas, as mensagens não eram atendidas, e começou um jogo de empurra. Fala com tal assessor, de tal assessor pra tal, um verdadeiro caminhar, uma estrada, talvez para cansar”, disse.

O ponto mais contundente do relato, porém, está na afirmação de que Feldner teria sido utilizada politicamente sem que sua candidatura como suplente sequer fosse formalizada. Ela sustenta que seu nome ganhou espaço na imprensa como símbolo de uma composição com uma mulher, mas acabou sendo retirado antes do registro definitivo.

“No primeiro momento, o meu nome saiu em todos os jornais, passou a imagem de que ela tinha escolhido uma suplente mulher, sem envolvimento com corrupção, mas o meu nome nunca foi registrado na chapa. No último dia, quando ela ainda detinha o poder de simplesmente tirar, eu descubro que foi tirado assim”, afirmou.

A delegada também questionou por que outro nome não teria sido apresentado desde o início e classificou a sucessão dos acontecimentos como uma articulação da qual teria sido utilizada como parte da estratégia política.

“E colocado quem? Uma pessoa que é o assessor dela, ou foi, não sei precisar, Aluízio Lima. Agora eu pergunto: por que ele não foi desde o início? Por que precisou me colocar no começo? Foi onde eu vou percebendo realmente a farsa, uma montagem, um teatro”, declarou.

Feldner afirma ainda que houve uma diferença significativa na publicidade dada à sua entrada e à sua saída da chapa. Segundo ela, enquanto sua indicação foi amplamente divulgada, sua retirada teria passado praticamente despercebida, fazendo com que até pessoas próximas continuassem acreditando que ela permanecia como suplente.

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“E detalhe, não há na imprensa uma repercussão da minha saída. Comecei a ser questionada por amigas que ainda acreditavam que eu estava lá por conhecidos. ‘Nossa, parabéns’. Eu falei: ‘mas eu já não componho mais’. ‘Ué, não estava sabendo’. Não foi dada a mesma publicidade. E as pessoas continuavam achando que eu estava ali, compondo aquela chapa”, relatou.

Diante do episódio, a delegada fez uma crítica direta à condução política do processo e afirmou ter se sentido enganada pela forma como a situação foi conduzida.

“Isso é usar, isso é mentir, isso é enganar”, disparou.

A composição acabou sofrendo nova alteração nos momentos finais do prazo, segundo o relato da delegada. Danilo Trento passou a ocupar a primeira suplência, enquanto Rafael Yamada ficou com a segunda vaga.

“Novamente, no último dia, nos últimos dias, nos dois últimos dias, onde depois já não é possível mais trocar o suplente. Quem entra? Danilo Trento, na primeira suplência, Rafael Yamada, na segunda”, afirmou Feldner.

A substituição ganhou peso político diante do histórico recente de Trento. Em 2021, ele foi ouvido pela CPI da Pandemia como investigado no contexto das negociações envolvendo a Precisa Medicamentos e a vacina Covaxin. Já em 2025, passou a ser investigado pela Polícia Federal em uma apuração relacionada a descontos irregulares em benefícios do INSS.

Além disso, documentos da CPMI que citaram dados do Coaf apontaram que Trento teria recebido R$ 19,2 milhões do grupo J&F entre janeiro de 2023 e abril de 2025.

 

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