O Dia dos Pais deste domingo (9) tem um significado especial para Waldirley Edson Kempfer, de 53 anos, e Franklin Ramos da Silva Kempfer, de 32. Depois de aproximadamente três décadas vivendo uma relação de pai e filho, os dois completaram um ano desde que conseguiram oficializar juridicamente a paternidade socioafetiva, com auxílio da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT).
A história da família começou em 1994. Waldirley conheceu Andreia Chaves da Silva, mãe de Franklin, quando o menino tinha apenas um ano. Após o casamento, ele assumiu a criação da criança e, ao longo dos anos, o vínculo entre os dois se consolidou.
“Quando me casei com a mãe do Franklin eu logo o assumi como meu filho. Nossa vida sempre foi unida pelo amor que criamos um pelo outro”, relatou Waldirley.
O casal teve posteriormente outros dois filhos, mas, segundo Franklin, nunca houve diferença na forma como os três foram tratados. Ele conta que cresceu reconhecendo Waldirley como pai e que sempre teve orgulho da história construída pela família.
“A história do meu pai e da minha mãe é muito bonita e pra mim é um motivo de orgulho. Tudo começou no ano de 1994, minha mãe é uma mulher negra, estava recém-divorciada e com um filho de um ano de idade para criar. Meu pai venceu todos os preconceitos que a sociedade tinha e jogava em cima da minha mãe”, afirmou.
Franklin acrescenta que a chegada dos irmãos biológicos nunca modificou a relação entre ele e Waldirley.
“Nesses anos, ele e minha mãe tiveram mais dois filhos, mas isso nunca fez com que ele me tratasse diferente. Muito pelo contrário, ele sempre me tratou com muito amor e carinho”, disse.
Apesar de a relação familiar estar consolidada havia décadas, faltava o reconhecimento nos documentos. Pai e filho já haviam tentado formalizar a paternidade socioafetiva anteriormente, mas afirmam que encontraram dificuldades relacionadas à burocracia e aos custos do procedimento.
“Sempre tivemos vontade de fazer o reconhecimento, mas toda vez esbarrava na burocracia e no valor dos encargos que eram muito elevados”, explicou Franklin.
A situação mudou em 2025, quando os dois buscaram atendimento da Defensoria Pública por meio do projeto Meu Pai Tem Nome. A iniciativa, coordenada nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), busca facilitar gratuitamente procedimentos de reconhecimento de paternidade.
Durante o Dia D realizado no Núcleo Cível da Defensoria Pública, em Cuiabá, Waldirley e Franklin participaram de uma audiência de conciliação. Como Franklin morava em Brasília (DF) naquele período, a participação dele ocorreu por videoconferência.
O procedimento permitiu que a relação construída durante praticamente toda a vida de Franklin finalmente passasse a constar oficialmente em sua documentação. Com a nova certidão de nascimento, ele também acrescentou Kempfer ao sobrenome.
Um ano depois, Franklin afirma que o principal impacto não está na relação afetiva, que já existia, mas no reconhecimento formal de algo que sempre fez parte de sua vida.
“Nesse um ano de oficialização do nosso vínculo de pai e filho é difícil falar em ‘mudança’, porque o sentimento de amor sempre teve. Para mim o que existe agora é o sentimento de pertencimento. Hoje eu tenho o nome do meu pai na minha certidão, adicionei o Kempfer no meu sobrenome, tenho esse pedacinho dele comigo. É um sentimento de sonho realizado”, contou.
A chegada da nova certidão também se transformou em um momento de comemoração para toda a família. Franklin lembra que aguardou com ansiedade até receber a informação de que o documento estava disponível.
“No dia que nos ligaram para avisar que estava tudo pronto, eu fui correndo no cartório. Quando peguei a nova certidão eu chorei muito. Mandei mensagem no grupo da família. Foi uma festa”, recordou.
Para Waldirley, a oficialização também contribuiu para aproximar ainda mais os dois.
“Nesse um ano ficamos mais unidos. Nos falamos todo dia, estamos sempre querendo saber um do outro. Eu vejo que nossa amizade e nosso amor cresceu ainda mais”, afirmou.
Ele também destacou a importância do atendimento gratuito para famílias que desejam formalizar vínculos semelhantes, mas encontram dificuldades para realizar o procedimento.
“O atendimento da Defensoria Pública foi de grande relevância. Têm muitos pais que querem fazer o reconhecimento dos filhos, mas não conseguem devido à burocracia. Nós resolvemos tudo muito rápido e fomos bem atendidos”, concluiu.




















