O viúvo da ex-deputada federal Amália Barros, Thiago Boava, classificou como “muito infeliz” a declaração feita pelo presidente estadual do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, durante a convenção da legenda realizada na última quarta-feira (22). Embora tenha afirmado acreditar que a fala foi resultado de uma escolha inadequada de palavras, Boava disse que uma retratação pública seria importante diante da repercussão do caso.
“Eu entendo que o Ananias foi muito infeliz. Prefiro acreditar que foi falta de domínio das palavras, e isso ficou muito ruim”, declarou em mensagem encaminhada à jornalista Marisa Batalha, integrante do coletivo Mulheres MT Até Quando?.
A manifestação ocorreu após a publicação do artigo “Quando uma palavra pública fere muito além da política”, no qual Marisa aborda a responsabilidade de agentes públicos ao tratarem de temas sensíveis, especialmente quando envolvem a morte de uma pessoa e a trajetória de uma mulher que conquistou espaço de destaque na política.
A polêmica teve início durante a convenção estadual do PL, quando Ananias comentava o desempenho eleitoral da legenda e a composição da bancada federal. Ao citar a mudança ocorrida após a morte de Amália Barros, afirmou que “Deus deu uma mão” e “levou uns para cima”. A declaração foi interpretada como desrespeitosa por parte de aliados e apoiadores da ex-parlamentar.
Amália Barros morreu em maio de 2024, aos 39 anos. Com sua morte, o primeiro suplente do partido, Nelson Barbudo, assumiu definitivamente a cadeira na Câmara dos Deputados.
Ao comentar o episódio, Thiago Boava afirmou que a política é um ambiente “frio” e que situações como essa acabam gerando desconforto.
“Política é muito fria. Situações como essa deixam as coisas um pouco desconfortáveis”, disse.
Apesar de considerar que um pedido de desculpas seria o caminho mais adequado, o viúvo afirmou que não pretende cobrar uma retratação pública de Ananias. Segundo ele, nem ele nem a mãe de Amália precisam desse gesto para preservar o legado deixado pela ex-deputada.
“Para mim, eu não preciso desse pedido de desculpas. Acho que a mãe dela também não precisa. A história da Amália foi muito bonita, foi muito linda. Talvez poucos políticos no Estado tenham conseguido, em tão pouco tempo, tamanha relevância na vida e no coração das pessoas”, afirmou.
Boava acrescentou que cabe ao presidente estadual do PL avaliar o impacto de sua fala e decidir se fará uma retratação.
“Eu concordo que um pedido de desculpas cairia bem para ele, mas não vou pedir isso. Prefiro ficar no meu silêncio em relação a isso. Ele que saiba o momento ideal.”
Em outro trecho da mensagem, o viúvo avaliou que um pedido público de desculpas poderia contribuir para reparar o desgaste provocado pela declaração.
“Acho que, no lugar dele, eu já teria me retratado. Seria bom para ele, para as pessoas olharem para ele com outros olhos, porque elas estão olhando agora para uma pedra de gelo”, concluiu.
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