O debate entre candidatos ao Senado realizado pela Centro América FM, na manhã desta quinta-feira (10), foi marcado por uma sequência de provocações entre Antônio Galvan (Avante) e Carlos Fávaro (PSD). O confronto envolveu emendas parlamentares, recursos destinados aos municípios, investimentos no setor agropecuário e a entrega de veículos anunciada pelo senador.
A troca de farpas começou ainda durante uma discussão sobre as relações comerciais do Brasil com outros países. Fávaro questionou Galvan sobre o posicionamento que Mato Grosso deveria adotar diante das incertezas no comércio internacional e pediu que o adversário tratasse do assunto “sem fake news e sem ódio”.
Galvan aproveitou a resposta para mudar o foco e questionar a atuação de Fávaro quando esteve à frente do Ministério da Agricultura. O candidato do Avante reconheceu a importância da abertura de mercados, mas cobrou medidas voltadas aos produtores de diferentes portes e citou dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário.
Fávaro defendeu a atuação do governo Lula e destacou a ampliação dos mercados para produtos brasileiros. Também comparou os recursos do Plano Safra em diferentes governos, afirmando que o volume teria passado de R$ 700 bilhões na gestão anterior para R$ 2 trilhões no governo atual.
Galvan contestou os números e classificou as realizações citadas pelo senador como “fantasia”. Também criticou os juros e afirmou que produtores rurais continuam enfrentando dificuldades financeiras.
Foi então que Fávaro voltou a atacar o adversário:
“Ele não consegue responder sem ódio, sem fake news.”
Emendas viram centro do confronto
A discussão subiu de tom quando Galvan passou a questionar diretamente o volume e a distribuição das emendas destinadas por Fávaro a Mato Grosso.
O candidato do Avante questionou por que, segundo sua avaliação, recursos elevados teriam sido concentrados em determinados municípios e cobrou do senador uma posição sobre mudanças no Pacto Federativo.
Galvan também mirou uma promessa apresentada por Fávaro durante a campanha: a entrega de 400 veículos para municípios e instituições.
“Gostaria que explicasse aonde foram essas 400 ambulâncias, que me parece que só teve doente no ano da eleição, em 26, porque nos anos anteriores não levou nenhuma”, provocou.
Fávaro rebateu afirmando que, ao longo de sete anos de mandato, teria viabilizado cerca de R$ 4 bilhões em ações e obras para Mato Grosso. O senador também sustentou que os recursos foram destinados independentemente da filiação partidária dos prefeitos.
Sobre os veículos, afirmou que se trata da maior entrega desse tipo já realizada no país.
“Eu atendi a todos, todos os municípios, inclusive com a maior entrega de ambulâncias, vans ou de automóveis da história do Brasil. Quatrocentos veículos”, declarou.
Galvan não se deu por satisfeito e pediu que o senador apresentasse a relação dos veículos entregues. Também voltou a cobrar respostas sobre a concentração das emendas e o Pacto Federativo.
“Você vai continuar se desviando das perguntas que eu lhe fiz? Pacto Federativo, emendas e as 400 ambulâncias que você fala?”, insistiu.
“Ele só sabe esbravejar”
Na tentativa de justificar a aplicação das emendas, Fávaro citou investimentos em diferentes municípios, entre eles R$ 29 milhões em Jangada para pavimentação e R$ 30 milhões em Sinop para a duplicação da Avenida André Maggi.
O senador afirmou ainda que as emendas parlamentares podem ajudar a reduzir diferenças entre municípios com maior e menor capacidade de investimento e defendeu a continuidade desse mecanismo.
Galvan, por outro lado, afirmou que Fávaro estaria evitando responder às perguntas sobre mudanças no sistema de emendas e no Pacto Federativo. Durante o confronto, chegou a afirmar que “80% da corrupção do Brasil” estaria relacionada às emendas, sem apresentar dados para sustentar a declaração.
Fávaro encerrou a discussão acusando o adversário de transformar o debate em uma sequência de ataques.
“Eu tento debater com ele sem ódio, sem fake news, ele não consegue. Ele só sabe esbravejar”, afirmou.


















