A possível construção de uma aliança nacional entre o Republicanos e o PL em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República tem impacto direto no cenário político de Mato Grosso. A informação foi publicada nesta quinta-feira (2) pela Folha de S.Paulo, que detalha as condições impostas pela legenda para avançar nas negociações.
O Republicanos condiciona o apoio a Flávio Bolsonaro ao compromisso do PL de apoiar candidaturas do partido em estados estratégicos. O desenho da negociação envolve diferentes regiões do país e é tratado como elemento central para viabilizar a composição da chapa presidencial.
Em Mato Grosso, a exigência recai diretamente sobre o palanque do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputará a reeleição em 2026. Com isso, o estado passa a ocupar posição central na articulação nacional, já que o arranjo local se integra à costura da candidatura presidencial.
O impasse se forma porque o PL já lançou o senador Wellington Fagundes como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso. A movimentação coloca as duas siglas em rota de colisão no estado e transforma a definição do palanque em condição política para o avanço da aliança.
Segundo a Folha de S.Paulo, Mato Grosso é tratado como um dos estados estratégicos da negociação. A avaliação interna no Republicanos é de que o alinhamento regional é peça necessária para consolidar o apoio nacional a Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, o PL teria de reavaliar sua posição no estado.
Vice em discussão
Além da articulação nos estados, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro também envolve a formação da chapa presidencial. Entre os nomes avaliados para vice está Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-auxiliar do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, Flávio Bolsonaro tem citado a pessoas próximas que considera Daniella um nome possível para a vaga. Ela se filiou recentemente ao Republicanos e passou a participar de reuniões da pré-campanha.
A movimentação, no entanto, gerou incômodo dentro do partido. Integrantes do Republicanos apontam que não houve diálogo formal com a direção nacional, além de críticas internas sobre a forma como a possível indicação vem sendo conduzida.
A candidatura de Flávio também enfrenta dificuldades na definição do vice, diante da falta de consenso político e da ausência de apoio consolidado de outras legendas, conforme mostrou a Folha.
Cenário mais amplo
A negociação, porém, não se limita a Mato Grosso. Outros estados também entram no conjunto de exigências, ampliando a complexidade da articulação entre Republicanos e PL. A leitura dentro do partido é de que uma eventual aliança poderia ter efeito positivo nos principais colégios eleitorais do país, especialmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde o impacto político é considerado mais relevante.
Ao mesmo tempo, há resistências regionais que dificultam o fechamento do acordo. Em Pernambuco, por exemplo, o ex-ministro de Portos Silvio Costa Filho (Republicanos) já está alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo estado, o irmão dele, Carlos Costa (Republicanos), integra a chapa como vice de João Campos (PSB) na disputa pelo governo estadual.
Na Paraíba, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), atua para se aproximar do campo petista, com o objetivo de fortalecer a candidatura do pai, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado.
Mesmo com esse cenário fragmentado, o Republicanos ainda não fechou apoio formal a Flávio Bolsonaro. O partido descarta apenas um alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas mantém aberta a possibilidade de neutralidade no primeiro turno.
Caso a neutralidade seja confirmada, os diretórios estaduais passam a ter liberdade para definir seus próprios apoios, o que mantém indefinido o cenário eleitoral em Mato Grosso e preserva a disputa entre Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes.















