A empresária Lucilvânia Conce, de Sapezal, relatou ter sido alvo de ofensas, acusações e ataques pessoais durante duas ligações que, segundo ela, foram feitas pelo deputado estadual e candidato à reeleição Chico Guarnieri (PSDB). O caso veio a público após a circulação de um áudio nas redes sociais e em grupos de mensagens.
Em um vídeo publicado para explicar o episódio, Lucilvânia afirmou que não conhecia pessoalmente o parlamentar e que o contato teria ocorrido depois de uma conversa com o vereador Elenildo, conhecido como Niltinho, que já teria prestado serviços para a empresa dela e recebido apoio de sua família durante a campanha eleitoral.
Segundo a empresária, durante a conversa com Niltinho, ela manifestou apoio a outro candidato. O vereador, porém, teria informado que estava apoiando Chico Guarnieri. Lucilvânia afirma que o assunto terminou naquele momento e que não fez críticas ao deputado.
Horas depois, por volta das 20h30, ela diz ter recebido uma primeira ligação, com duração aproximada de dois minutos. Como o número não estava identificado e ela não tinha o contato do parlamentar, decidiu desligar. Na sequência, conforme seu relato, recebeu uma segunda chamada, na qual teria sido alvo de uma série de ataques.
No áudio divulgado, são atribuídas ao interlocutor expressões ofensivas contra a empresária, incluindo; “Estou ameaçando pilantra, vagabunda, safada, tá? Eu não sou biscate que ande dando pra Sapezal inteiro não, tá? Sei nem se eu compenso falar com uma vagabunda igual você.”
Lucilvânia afirma que a ligação teria durado cerca de quatro minutos e que, durante a conversa, foi acusada de reunir funcionários para falar negativamente sobre o candidato. Ela negou a afirmação e explicou que conversou com apenas um funcionário, morador de Barra do Bugres, que teria conhecido Chico Guarnieri durante o período em que ele exerceu o cargo de vereador.
De acordo com a empresária, esse funcionário teria feito comentários sobre a atuação política de Guarnieri no município, mas ela sustenta que isso não justificaria os ataques que afirma ter recebido.
“Eu nunca me senti tão humilhada na minha vida. Porque nem meu pai, nem meu ex-marido, ninguém fez isso comigo. Falar o que o Chico falou pra mim”, declarou.
Ela também negou ter cometido qualquer irregularidade e reagiu à acusação de que seria ladra.
“Ele não me conhece pra estar falando de mim. Segunda coisa, ele me chamou de ladra. Cara, eu saí de casa com sete anos de idade pra trabalhar.”
“Tudo que eu tenho hoje, eu trabalhei com o meu trabalho, com o meu suor. E nunca tirei nada de ninguém. Isso não se fala com as pessoas”, acrescentou.
Lucilvânia destacou ainda a quantidade de trabalhadores empregados em seu estabelecimento. Segundo ela, a empresa atualmente gera mais de 300 empregos em Sapezal.
“Hoje, em Sapezal, eu gero mais de 300 empregos dentro do meu estabelecimento. Quer dizer, são 300 famílias que trabalham comigo, que tiram sustento de dentro do meu estabelecimento”, afirmou.
Ao comentar a repercussão do áudio, a empresária também contestou comentários de pessoas que teriam levantado a possibilidade de o material ter sido produzido ou manipulado por inteligência artificial.
“E o absurdo, um absurdo que eu vi, foi justamente as mulheres e os homens defendendo e falando que era I.A. Tô com toda a documentação aqui, não tem nada de I.A. Foi pra mim mesmo, empresária, mãe, avó, que ele fez isso. Me humilhar, me diminuir, justamente por eu ser uma mulher. Se fosse um homem, ele nunca faria isso.”
Ao final do relato, Lucilvânia informou que tomou providências sobre o episódio e afirmou esperar que situações semelhantes não voltem a ocorrer.
“As medidas cabíveis foram tomadas. Eu espero que ele nunca mais faça isso com nenhuma mulher no mundo.”
















