Um homem preso em flagrante por tráfico de drogas na última sexta-feira (22) em Barra do Bugres, a 180 quilômetros de Cuiabá, relatou ter sofrido abuso sexual por parte de policiais militares durante a abordagem. Segundo o relato registrado em laudo pericial, os agentes teriam introduzido um cabo de vassoura em seu ânus após algema-lo com os braços para trás. O exame de corpo de delito, realizado no sábado (23) pela Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado de Mato Grosso (POLITEC), confirmou lesões compatíveis com a versão apresentada pela vítima.
A identidade do preso não foi divulgada em razão do sigilo judicial decretado sobre o processo. Ele foi solto ainda no sábado, durante a audiência de custódia.
O que diz o laudo pericial da POLITEC
O documento, assinado digitalmente pela perita oficial médica-legista Mariana Sansão Gouveia, da Gerência de Medicina Legal de Tangará da Serra, descreve a presença de edema e fissura anal, além de discretos fragmentos de madeira na região. Na seção de discussão, a perita afirma que os achados podem ser compatíveis com fragmentos de madeira e que a fissura anal associada ao edema pode ser compatível com lesão causada por introdução de objeto, dedo ou algo semelhante em região anal, concluindo que o cabo de vassoura mencionado pelo examinado pode ser compatível com os achados.
O laudo descreve com precisão as demais lesões encontradas no corpo: quatro escoriações hiperemiadas alongadas dispostas paralelamente no terço inferior do antebraço direito, com aumento de volume discreto; duas escoriações no punho medial esquerdo; duas no punho posterior-lateral esquerdo; duas escoriações hiperemiadas com aumento de volume discreto no punho posterior direito; uma escoriação no dorso esquerdo; três escoriações na região ilíaca esquerda e três na ilíaca direita; duas escoriações na região glútea esquerda; e quatro escoriações na região glútea direita. Todas foram classificadas como recentes e causadas por instrumento contundente. Ao responder aos quesitos oficiais, a perita confirmou que houve ofensa à integridade corporal e que a lesão foi produzida por meio cruel.

A prisão por tráfico de drogas em Barra do Bugres
O homem foi detido durante a Operação CGFRON – Brasil Contra o Crime Organizado – Fronteiras, coordenada pelo 7º Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso. Segundo o boletim de ocorrência, guarnições receberam informações de inteligência de que o suspeito coordenava a distribuição de entorpecentes no endereço e que integrava a facção criminosa Comando Vermelho.
Ao perceber a aproximação policial no portão da residência, o suspeito tentou fugir, mas foi imediatamente abordado. Durante a busca pessoal, foram encontrados no bolso de sua bermuda três pinos de substância análoga à cocaína, cinco porções de substância análoga à maconha e R$ 10,00 em espécie. O boletim relata que, ao receber voz de prisão, o suspeito resistiu ativamente com força física, sendo necessário o uso moderado da força para sua contenção, imobilização e algemação. Dentro do quarto, policiais localizaram mais porções de drogas, uma balança de precisão e um celular que, segundo o próprio preso, era usado no tráfico.
Relato de violência policial e providências da delegacia
O delegado titular da Delegacia de Polícia de Barra do Bugres, Fernando Albuquerque Marques, que estava de plantão no momento dos fatos, determinou a realização do exame de corpo de delito assim que tomou conhecimento das alegações de agressão — procedimento padrão aplicado a qualquer pessoa conduzida à unidade policial civil. O delegado não quis comentar o caso, alegando que o processo tramita sob segredo de Justiça.
O relato de violência foi registrado no momento das formalizações cartorárias na delegacia, quando o conduzido, devidamente assistido por sua defesa técnica, comunicou ao advogado ter sofrido as agressões físicas por parte dos policiais militares responsáveis por sua captura e transporte até a unidade. Diante da notícia, a autoridade policial requisitou imediatamente o exame de corpo de delito. Por se tratar de agentes que estavam no estrito exercício de suas funções, o expediente com o termo de declarações da denúncia será encaminhado ao Comando Local da Polícia Militar.
Por que o caso vai para a Justiça Militar
Por se tratar de policiais militares estaduais em serviço quando os fatos teriam ocorrido, o caso será apurado por inquérito policial militar e julgado pela Justiça Militar. O processo tramita sob absoluto sigilo judicial.





















