O delegado Marcel Gomes de Oliveira afirmou, durante o julgamento de Carlinhos Bezerra nesta sexta-feira (31), que William César Moreno conheceu Thays Machado pessoalmente no mesmo dia em que os dois foram assassinados, em Cuiabá.
“William conheceu Thays para morrer”, declarou o delegado ao relatar aos jurados as circunstâncias que antecederam o duplo homicídio ocorrido em 18 de janeiro de 2023.
Segundo Marcel, que atuava na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e participou das investigações, Thays e William começaram a conversar pela internet. A aproximação teria ocorrido a partir de um assunto relacionado a animais de estimação, já que ela tinha cachorros.
Após o período de conversas virtuais, William viajou até Cuiabá para conhecer Thays pessoalmente. De acordo com o depoimento, Carlinhos Bezerra não conhecia William e não tinha qualquer relação anterior com ele.
Depois de se encontrarem, Thays e William seguiram até o prédio onde morava a mãe dela, no bairro Consil. Thays teria ido ao local para devolver um veículo que havia pegado emprestado.
Foi em frente ao edifício que os dois foram surpreendidos por Carlinhos Bezerra. Conforme a acusação, ele efetuou vários disparos contra o casal. Thays, de 44 anos, e William, de 30, morreram no local.
Durante o depoimento, Marcel também afirmou que a investigação identificou um histórico de perseguição e controle exercido por Carlinhos contra a ex-companheira depois do fim do relacionamento.
Nas buscas realizadas na residência do acusado, os policiais encontraram, no quarto e no escritório, documentos com anotações sobre a rotina de Thays, além de equipamentos e registros de geolocalização utilizados para acompanhar os deslocamentos dela.
Segundo o delegado, Carlinhos monitorava momentos em que Thays levava a filha à escola, visitava a mãe e frequentava outros locais. Ele também ligava insistentemente para a ex-companheira para saber onde ela estava e quem a acompanhava.
Marcel relatou ainda que Thays precisava fazer chamadas de vídeo e mostrar o ambiente em 360 graus para comprovar quem estava ao redor dela, devido ao ciúme excessivo do acusado.
O delegado afirmou aos jurados que Carlinhos era um “stalker” e que perseguia a vítima. A investigação também teria encontrado indícios de que ele planejava matar Thays desde o período do Ano-Novo daquele ano, mas o crime não foi executado naquela ocasião.
Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato de Thays Machado e William César Moreno. O julgamento continua no Fórum de Cuiabá, com a apresentação das testemunhas e das provas reunidas durante a investigação.



















