A Justiça de Mato Grosso decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri Jackson Pinto da Silva, acusado de assassinar a esposa, Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, e ocultar o corpo da vítima em uma cova aberta no quintal de outro imóvel pertencente a ela, no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá. A decisão foi proferida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da 14ª Vara Criminal da Capital, que também manteve a prisão preventiva do réu.
A sentença de pronúncia acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que acusa Jackson pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.
Segundo a denúncia, o crime ocorreu na manhã de 4 de maio de 2026, quando Nilza foi morta por asfixia mecânica com uma braçadeira de nylon enquanto dormia, sem qualquer possibilidade de defesa. Após o assassinato, Jackson teria transportado o corpo até outro imóvel da vítima, onde havia contratado previamente um serviço de escavação sob o pretexto de construir uma fossa. No local, enterrou o cadáver em uma cova de aproximadamente dois metros de profundidade.
O caso ganhou grande repercussão na época após Jackson comparecer à polícia para registrar um falso boletim de desaparecimento da esposa, numa tentativa de despistar as investigações. Durante as diligências, ele acabou confessando o crime e indicou o local onde havia escondido o corpo.
As investigações também apontaram que, após matar a companheira, o acusado realizou uma transferência de R$ 18 mil do cartão de crédito da vítima para sua própria conta, fato que reforçou a tese do Ministério Público de que o crime também teve motivação patrimonial.
Na decisão, o magistrado destacou que há provas suficientes da materialidade dos crimes e indícios consistentes de autoria. Entre os elementos reunidos estão o laudo de necropsia, que confirmou a morte por asfixia mecânica, a localização do corpo no local indicado pelo próprio acusado, provas periciais, registros telemáticos, depoimentos de testemunhas e a confissão judicial feita por Jackson durante audiência de instrução realizada em julho deste ano.
O juiz manteve todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, incluindo o feminicídio praticado em contexto de violência doméstica, o emprego de asfixia, o recurso que impossibilitou a defesa da vítima — por ela estar dormindo no momento do ataque — e a causa de aumento de pena pelo fato de Nilza ter mais de 60 anos.
Ao manter a prisão preventiva, o magistrado ressaltou que a forma como o crime foi executado, a ocultação do cadáver e a tentativa de simular o desaparecimento da vítima demonstram a necessidade da custódia para garantir a ordem pública e a regular instrução do processo.
Com a decisão, Jackson Pinto da Silva será submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. O Ministério Público também pediu a fixação de um valor mínimo de indenização aos familiares da vítima pelos danos causados.




















