A Justiça de Mato Grosso substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar de Vitória Sara Bezerra Mota, conhecida como “Sarinha da Toyota”, investigada por suposta participação no esquema apurado pela Operação Pátio Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil em Sorriso.
A decisão foi tomada pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), durante o plantão judiciário, após a defesa ingressar com habeas corpus.
Vitória é investigada pelos crimes de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ela trabalhava como consultora de vendas em uma concessionária que passou a ser alvo da operação policial.
Ao analisar o pedido, Perri considerou que parte das medidas consideradas necessárias para preservar a investigação já havia sido cumprida. Entre elas estão mandados de busca e apreensão, recolhimento de celulares, computadores, documentos e outros materiais, além de medidas de bloqueio patrimonial e quebra de sigilos.
O desembargador também apontou que, até o momento, não foram apresentados elementos concretos indicando que Vitória tenha tentado intimidar vítimas ou interferir diretamente na produção de provas.
Diante disso, o magistrado avaliou que eventuais riscos à investigação poderiam ser controlados por meio de medidas cautelares menos gravosas do que a manutenção da prisão preventiva.
Outro fator considerado na decisão foi o fato de Vitória ser mãe de uma criança de quatro anos. A legislação permite, em determinadas circunstâncias, a substituição da prisão preventiva de mulheres responsáveis por filhos menores de 12 anos por prisão domiciliar.
Segundo a decisão, os crimes investigados não envolvem violência ou grave ameaça contra pessoas e não teriam sido praticados contra a filha da investigada.
Com a liminar, Vitória deverá permanecer em casa e cumprir uma série de determinações impostas pela Justiça. Ela terá de manter endereço, telefone e e-mail atualizados e está proibida de manter contato com outros investigados e com vítimas relacionadas ao inquérito.
O descumprimento das medidas poderá levar à revogação da prisão domiciliar e ao restabelecimento da prisão preventiva.
Prisão e apresentação à polícia
A prisão preventiva de Vitória havia sido determinada anteriormente e estava relacionada às suspeitas investigadas na Operação Pátio Paralelo.
Ela se apresentou voluntariamente à Delegacia da Polícia Civil de Sorriso no dia 27 de agosto, acompanhada do advogado, após a deflagração da operação. Desde então, permanecia custodiada.
A defesa recorreu ao TJMT por meio de habeas corpus para questionar a manutenção da prisão.
A decisão de Perri é liminar e, portanto, não representa absolvição. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça.
Operação Pátio Paralelo
Deflagrada em 26 de agosto, a Operação Pátio Paralelo investiga um suposto esquema de desvio de veículos e recursos obtidos durante negociações comerciais em uma concessionária de Sorriso.
Segundo a investigação, clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento ou realizavam transferências para a compra de automóveis novos. A suspeita é de que parte dos bens e valores tenha sido desviada para pessoas ou empresas ligadas aos investigados, fora dos procedimentos regulares da concessionária.
Até o momento, cerca de 15 a 20 possíveis vítimas foram identificadas.
A análise financeira realizada pela Polícia Civil apontou ainda uma movimentação de aproximadamente R$ 50 milhões em contas ligadas a pessoas e empresas investigadas em um período de cerca de um ano.
A polícia ressalta que o montante corresponde à movimentação financeira analisada e não necessariamente ao prejuízo causado às vítimas.
A operação cumpriu mais de 20 medidas judiciais, incluindo prisões preventivas, buscas e apreensões, quebra de sigilos bancários, bloqueio de ativos, sequestro de veículos e indisponibilidade de patrimônio.
As investigações continuam para identificar o destino dos veículos e recursos e verificar a participação de outras pessoas e empresas. Os investigados permanecem sob a presunção de inocência até eventual condenação definitiva.






















