A Polícia Federal revelou, nesta terça-feira (28), durante o julgamento dos acusados de executar o advogado Roberto Zampieri, a existência de um documento que, segundo a investigação, descreve a estrutura de uma suposta organização criminosa especializada em homicídios por encomenda e estabelece uma tabela de preços para a execução de vítimas conforme o cargo ocupado. As informações foram apresentadas pelo delegado federal Marco Bontempo durante depoimento ao Tribunal do Júri, em Cuiabá.
Segundo o delegado, o documento foi apreendido durante buscas realizadas na residência do coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado nas investigações como um dos envolvidos no esquema. Conforme o relato, o material fazia referência à criação de uma organização denominada C4 e detalhava a forma de funcionamento do grupo, incluindo divisão de funções, logística, armamentos e métodos utilizados nas ações criminosas.
De acordo com Bontempo, o documento previa uma estrutura organizada para a prática de assassinatos mediante pagamento. Entre os itens descritos estavam o uso de armamentos de alto calibre, veículos, equipamentos de apoio e até a utilização de prostitutas para ações de espionagem e levantamento de informações sobre possíveis alvos.
O trecho que mais chamou a atenção durante o depoimento foi uma tabela de valores que, segundo a Polícia Federal, estabelecia quanto seria cobrado pela execução de diferentes perfis de vítimas. O delegado classificou o documento como um verdadeiro “cardápio da morte”.
“Pessoa comum, R$ 50 mil; juízes, R$ 100 mil; ministros do Supremo Tribunal Federal, R$ 200 mil”, afirmou o delegado ao detalhar o conteúdo apresentado aos jurados.
Segundo Bontempo, as investigações não se baseiam apenas no documento encontrado. A Polícia Federal afirma ter reunido um conjunto de provas que reforçam a hipótese de existência da organização criminosa.
Entre os elementos citados estão conversas extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação. Conforme o delegado, uma das mensagens mostra Edilerson Fialho Martins Barbosa discutindo com outro interlocutor a criação do símbolo da organização. Durante a conversa, segundo o policial federal, Edilerson afirma que a arte deveria seguir as orientações do coronel Caçadini e somente poderia ser utilizada após sua aprovação.
Outro conjunto de mensagens citado em plenário trata da negociação para aquisição de armas de fogo de alto calibre que, conforme a investigação, seriam destinadas às ações atribuídas ao grupo.
O delegado também apresentou conversas mantidas pelos investigados após a execução do advogado Roberto Zampieri. Segundo ele, Antônio Gomes da Silva, apontado como executor do crime, foi elogiado pelos demais envolvidos.
Nas mensagens, conforme relatado por Bontempo, Antônio é descrito como uma “máquina de matar, frio e calculista”. Em outro trecho, os interlocutores afirmam que ele seria uma “excelente aquisição para o pelotão”, expressão que, de acordo com a Polícia Federal, faz referência à suposta organização criminosa investigada.
Durante o depoimento, Marco Bontempo afirmou que todos esses elementos integram o inquérito complementar conduzido pela Polícia Federal e sustentam a linha investigativa de que o grupo atuava de forma estruturada para a prática de homicídios mercenários mediante recompensa financeira.
O depoimento foi prestado durante o julgamento dos acusados de executar Roberto Zampieri, advogado assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá. A morte do jurista deu origem a uma das maiores investigações já conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de venda de decisões judiciais, corrupção e atuação de uma suposta organização criminosa com ramificações em diferentes estados.



















