O advogado da mulher que denunciou ter sido estuprada dentro da Delegacia de Polícia de Sorriso pediu ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que ofereça nova denúncia contra o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, desta vez pelo crime de denunciação caluniosa.
A representação foi protocolada pelo advogado Walter Djones Rapuano, que atua na defesa da vítima. Segundo o pedido, o policial teria registrado um boletim de ocorrência contra a mulher e contra o próprio advogado, dando origem a um procedimento investigativo mesmo tendo conhecimento da inocência de ambos.
De acordo com a petição, o inquérito instaurado para apurar essas acusações foi concluído sem qualquer elemento que comprovasse crime praticado pela vítima ou por seu representante legal. O relatório final apontou pelo arquivamento do caso.
A defesa sustenta que a iniciativa teve como objetivo descredibilizar a denúncia de estupro apresentada pela ex-detenta e criar uma narrativa para enfraquecer a investigação principal.
A mulher, de 25 anos, acusa Manoel Batista de tê-la violentado sexualmente enquanto estava sob custódia do Estado na Delegacia de Polícia de Sorriso, entre os dias 8 e 9 de dezembro de 2025. Segundo o relato, ela foi estuprada quatro vezes durante a noite em que permaneceu detida na unidade policial.
DNA reforça acusação
O caso ganhou novo desdobramento nesta quinta-feira (12), após a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmar, por meio de exame de DNA, a ocorrência de conjunção carnal entre o investigador e a mulher.
O laudo pericial identificou compatibilidade entre o perfil genético do cromossomo Y encontrado no material coletado da vítima e o perfil genético de Manoel Batista da Silva. No documento, os peritos apontam que o policial “não pode ser excluído” como fonte biológica do material analisado.
O resultado fortalece os elementos reunidos no processo criminal que já tramita na Justiça.
Investigador já responde por estupro
Manoel Batista já havia sido indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. A prisão preventiva dele foi decretada durante as investigações, e o Ministério Público formalizou denúncia criminal, que foi aceita pela Justiça.
A ação penal está em andamento na 2ª Vara Criminal de Sorriso.
No novo pedido encaminhado ao MPMT, a defesa requer que o investigador seja denunciado por duas vezes pelo crime de denunciação caluniosa, em concurso formal, pelas acusações direcionadas tanto à vítima quanto ao advogado.
O caso ganhou repercussão em fevereiro deste ano, quando o policial foi preso durante o andamento das investigações sobre a violência sexual supostamente praticada dentro da delegacia.
Agora, com a confirmação do DNA e o avanço da ação penal, a defesa da vítima tenta ampliar a responsabilização criminal do investigador, sustentando que houve tentativa deliberada de inverter os papéis e criminalizar quem denunciou o caso.





















