Um pedreiro de 57 anos, que vive nas ruas de Cuiabá há cerca de seis meses, conseguiu uma nova oportunidade para trabalhar após ser atendido durante a 5ª edição do PopRuaJud-MT, realizada nesta quinta-feira (27), no Ganha Tempo da Praça Ipiranga.
Gilvan procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT) porque teve a tornozeleira eletrônica rompida durante um assalto. Segundo ele, além de levar seus pertences, os criminosos o agrediram e arrancaram o equipamento enquanto ele dormia.
Com medo de ser preso por estar sem o dispositivo, o pedreiro foi ao evento para pedir a instalação de uma nova tornozeleira. Após receber orientação jurídica e participar de uma audiência, ele foi informado de que poderá cumprir o restante da pena de cinco anos por meio de outras condições determinadas pela Justiça.
Entre as obrigações está o comparecimento mensal à Fundação Nova Chance para comprovar que continua morando em Cuiabá. A retirada da tornozeleira, conforme Gilvan, deverá facilitar sua busca por emprego na construção civil.
“Achei maravilhoso. Vim para recolocar a tornozeleira, mas fiquei sabendo que posso cumprir minha pena de cinco anos de outra forma. Isso vai me ajudar muito porque a tornozeleira atrapalha na hora de arrumar um emprego. Sofremos muito preconceito por usar o aparelho e morar na rua”, relatou.
O pedreiro afirmou que pretende aproveitar a oportunidade para reorganizar a vida, voltar ao mercado de trabalho e manter todas as obrigações impostas pela Justiça.
“Agora tenho uma nova chance e posso trabalhar. Daqui a algum tempo, fazendo tudo certinho, ficarei em paz com a Justiça”, completou.
Outro homem beneficiado pela ação foi Aloisio Porto, que deixou a Bahia e chegou a Cuiabá há 35 dias à procura de emprego. Sem conseguir vaga em um albergue, ele passou a viver nas ruas e teve os documentos pessoais roubados.
Pai de três crianças que permanecem na Bahia, Aloisio contou que realiza trabalhos temporários e precisa conseguir uma fonte de renda para ajudar os filhos. Durante o evento, ele recebeu atendimento da Defensoria Pública e da Politec e conseguiu emitir a segunda via dos documentos.
O trabalhador também passou por exame de vista, recebeu alimentação, tomou banho e saiu do local disposto a procurar emprego.
“Quero fazer umas diárias e conseguir dinheiro para ajudar meus filhos. Um dia quero voltar para minha terra. Sinto muita saudade da minha família. O atendimento foi uma bênção. Agora é vida nova”, declarou.
A 5ª edição do PopRuaJud-MT oferece serviços gratuitos às pessoas em situação de rua de Cuiabá e Várzea Grande. A iniciativa reúne a Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Conselho Nacional de Justiça e outros órgãos públicos e entidades da sociedade civil.
Durante a ação, são disponibilizados atendimentos jurídicos, emissão de documentos, encaminhamento para vagas de emprego, elaboração de currículos, qualificação profissional e orientações sobre benefícios sociais.
O público também pode receber atendimento médico e odontológico, aferição de pressão arterial e glicemia, vacinação, medicamentos básicos, acompanhamento em saúde mental, alimentação, roupas e banho.
Segundo a defensora pública-geral, Luziane Castro, o projeto busca aproximar os serviços públicos de pessoas que enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos.
“Essa 5ª edição do PopRuaJud não significa apenas fornecer todos esses serviços, mas mostrar para a população em situação de rua que ela é acolhida e tem seus direitos garantidos”, afirmou.
A defensora pública Jacqueline Gevizier, integrante do Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (Gaedic PopRua), destacou que a escolha da Praça Ipiranga facilita o acesso do público atendido.
“Muitas vezes, a população em situação de rua sente vergonha de procurar os órgãos públicos. Por isso, é importante levar os serviços até essas pessoas, em um lugar que elas já conhecem e onde se sentem acolhidas”, explicou.
O PopRuaJud-MT integra a Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça, e busca ampliar o acesso à Justiça e aos serviços essenciais.



















