A combinação de calor intenso, baixa umidade do ar e fumaça das queimadas exige cuidados redobrados dos cuiabanos durante o período de estiagem. Em 2026, a Defesa Civil de Cuiabá já registrou 228 ocorrências de incêndios em vegetação entre janeiro e agosto, enquanto os órgãos municipais vêm alertando para os efeitos do tempo seco sobre a saúde.
Nesse cenário, sintomas como ressecamento da pele e dos lábios, irritação nos olhos, sangramento nasal, tosse seca e piora de alergias e doenças respiratórias podem se tornar mais frequentes.
Para a farmacêutica e proprietária da Drogaria Lig Master, Rosimeire S. Justino Moreira, alguns cuidados simples podem ajudar a população a enfrentar os dias mais secos.
“Nesse período, é importante que a pessoa não espere sentir os sintomas para começar a se cuidar. A hidratação precisa fazer parte da rotina, tanto por meio da ingestão de água quanto dos cuidados com a pele, nariz e olhos”, explica.
Produtos que ajudam no período seco
Entre os produtos que podem fazer parte da rotina de cuidados está o soro fisiológico 0,9%, indicado para auxiliar na limpeza e hidratação das vias nasais. O produto pode ser especialmente útil quando o ar seco provoca desconforto e sensação de ressecamento no nariz.
“O soro fisiológico é um produto simples e que pode ajudar bastante nesse período, principalmente para quem sente o nariz ressecado ou irritado. É uma forma de manter a região hidratada e aliviar o desconforto”, orienta Rosimeire.
Outro cuidado importante é com a pele. Hidratantes corporais e faciais ajudam a combater o ressecamento, a coceira e a descamação provocados pela baixa umidade.
“A pele também sente muito a mudança do clima. Um bom hidratante ajuda a preservar a barreira de proteção da pele e pode evitar aquele aspecto de pele áspera, descamando ou coçando”, explica.
Os hidratantes labiais também ganham espaço nessa época, principalmente para quem sofre com rachaduras e ressecamento dos lábios.
Já para os olhos, as lágrimas artificiais podem ajudar a aliviar a sensação de secura e irritação. Nesse caso, a orientação é buscar indicação de um profissional, principalmente para quem apresenta sintomas frequentes ou utiliza outros medicamentos oftalmológicos.
Calor e queimadas aumentam preocupação
A preocupação não está apenas no ressecamento. A fumaça das queimadas pode piorar a qualidade do ar e agravar sintomas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas que já possuem doenças como asma e rinite.
A própria Defesa Civil de Cuiabá alerta que períodos de baixa umidade, com índices abaixo de 20%, aumentam os riscos à saúde e favorecem a ocorrência de incêndios. Em agosto, o município chegou a registrar previsão de umidade entre 12% e 20%, além de temperaturas próximas dos 40°C.
“Quando temos fumaça no ar, quem tem algum problema respiratório precisa ter ainda mais cuidado. É importante evitar ficar próximo aos focos de queimadas e, quando possível, diminuir a exposição à fumaça e à poeira”, afirma a farmacêutica.
A orientação é também manter os ambientes limpos e, quando necessário, utilizar umidificador de ar, lembrando que o equipamento precisa ser higienizado corretamente para evitar a proliferação de microrganismos.
Protetor solar continua indispensável
Mesmo durante o período seco, outro produto que não pode ser deixado de lado é o protetor solar. A combinação de altas temperaturas e forte exposição ao sol aumenta a necessidade de proteção da pele.
“Em Cuiabá, o protetor solar precisa fazer parte da rotina. Mesmo que a pessoa não vá à praia ou fique diretamente exposta por muito tempo, quem sai para trabalhar, resolver alguma coisa ou passa parte do dia na rua precisa proteger a pele”, destaca Rosimeire.
Cuidado com vitaminas e medicamentos
A farmacêutica também chama atenção para um erro comum durante períodos de mudanças climáticas: recorrer à automedicação para tentar controlar os sintomas.
“Antialérgicos, descongestionantes, xaropes, corticoides, antibióticos e medicamentos para asma não devem ser usados por conta própria. Cada medicamento tem uma indicação específica e pode ter contraindicações e efeitos colaterais”, alerta.
O mesmo cuidado vale para vitaminas. Embora sejam importantes para o funcionamento normal do organismo, a suplementação deve ocorrer quando houver necessidade e com orientação de médico, nutricionista ou farmacêutico.
Hidratação é o principal cuidado
Além dos produtos que ajudam a amenizar os efeitos do clima, a recomendação mais básica continua sendo beber água regularmente, mesmo sem sentir sede.
A Defesa Civil orienta ainda evitar atividades físicas ao ar livre e exposição prolongada ao sol nos horários de maior calor, especialmente entre 10h e 17h. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias devem receber atenção especial. (Prefeitura de Cuiabá)
“A hidratação é o primeiro passo. Depois vêm os cuidados complementares, como o soro fisiológico, hidratante, protetor solar e os produtos específicos para cada necessidade. O importante é não deixar o cuidado para depois que o problema aparecer”, finaliza Rosimeire.
Em caso de falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, sangramento nasal frequente ou piora de sintomas respiratórios, a recomendação é procurar atendimento de saúde.



















