Vivaldo Lopes
O noticiário econômico da Europa e do Brasil divulgaram, na semana passada, as tratativas entre o Banco Central do Brasil (BCB) e o Banco Central Europeu (BCE) para interligar o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil ao TIPS, plataforma europeia de pagamentos instantâneos.
Os estudos de integração entre o Pix e TIPS já foram repassados às equipes técnicas do departamento do Banco Central responsável pelo sistema de pagamentos do país.
Em 10 de agosto, o Banco Central publicou o Relatório de Gestão do Pix no qual a autoridade monetária brasileira manifesta a intenção de conectar o Pix a plataformas similares de outros países.
O interesse no Pix brasileiro pelo BCE ficou registrado em apresentação pública feita durante a reunião mensal do mês de junho último, pela equipe técnica da autoridade monetária europeia. A previsão do time técnico do BCE é que a primeira fase dos estudos técnicos, chamada de pré-investigação, deve durar de junho de 2026 até setembro de 2027. Os estudos em andamento envolvem as áreas de governança, tecnologia, operacionalidade, jurídica e segurança das operações.
Em termos práticos, quando concluída, a integração operacional vai permitir a liquidação instantânea entre o euro e o real, no momento que o pagamento for efetivado em território europeu ou brasileiro. Vai permitir que brasileiros paguem compras em lojas ou supermercados em países europeus utilizando suas contas bancárias no Brasil. Da mesma forma, europeus poderão pagar suas compras no Brasil com suas contas bancárias de bancos da Europa. Além da facilidade de pagamento, os sistemas integrados cuidarão da conversão cambial, facilitando a vida do consumidor.
A despeito dos estudos de integração operacional entre TIPS e Pix encontrarem-se em fase avançada, o BCE citou que analisa outros três sistemas de pagamentos instantâneos: UPI, da Índia, Swiss SIC-IP, da Suiça e NGP’s Nexus, da instituição sem fins lucrativos Nexus Global Payments, baseada em Singapura.
A movimentação de internacionalização do Pix é caminho natural e irreversível. E acontece justamente quando o popular sistema brasileiro de pagamentos enfrenta críticas do governo americano. A atual administração americana acusa o Pix, que é gratuito e operacionalizado pelo Banco Central do Brasil, de prejudicar empresas americanas como as operadoras de cartões de crédito Visa e Mastercard, além das big techs americanas Meta, Google, Microsoft, Apple, X (antigo Twiter) e Amazon que pretendiam ofertar o mesmo serviço em suas plataformas digitais.
O Pix, criado e operacionalizado com sucesso pelo Banco Central, foi um dos frágeis argumentos utilizados pelo governo americano para aplicar sanções comerciais contra o Brasil. Reconhecem a excelência tecnológica, operacional e segurança da plataforma, mas alegam que deveria ser gerenciada pela iniciativa privada. Em outras palavras, segundo a administração federal americana, a plataforma universalizada e gratuita poderia ser melhor conduzida pelas big techs e operadoras de cartões de crédito dos EUA.
Além do BCE, vários países individualmente já procuram o BCB para negociações e estudos para utilização do Pix em seus territórios como Índia, Portugal, Argentina, Colômbia, Peru, Chile e México.
Segundo dados do Banco Central, desde sua criação, o Pix foi responsável pela inclusão bancária de 75 milhões de pessoas e 82% da população adulta brasileira é usuária cotidiana do Pix, fato que demonstra que o Pix facilitou a vida da população, aumentou a bancarização e, indiretamente, promoveu inclusão social ao permitir a entrada de milhões de famílias pobres ao ecossistema bancário e financeiro.
Numa analogia com o mundo do cinema, fosse o Pix um filme, certamente ganharia o Oscar de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator.
Como dizem os críticos especializados em cinema e artes, seria um sucesso de crítica, bilheteria e público, como as grandes obras de arte do cinema mundial.



















