CUIABÁ
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
CUIABÁ
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Slide anterior
Próximo slide
CHRISTIANE INDAIÁ

O professor perdeu a autoridade ou perdeu o respaldo?

publicidade

“Trabalhar em uma escola é mais difícil do que trabalhar em uma cadeia, em um hospital ou em uma delegacia.”

A afirmação é da psiquiatra e neurologista Elisabete Castelon Konkiewitz, em um vídeo publicado em suas redes sociais. E, embora seja uma afirmação forte, e que certamente não representa a experiência de todos os profissionais, ela coloca uma pergunta que merece ser feita com cuidado:

“O que está acontecendo dentro das escolas para que o trabalho de ensinar esteja sendo percebido, por alguns profissionais, como um lugar de tanto sofrimento?”

A questão não deve servir para apontar culpados. Nem professores, nem alunos, nem famílias, nem gestores.

Talvez seja justamente o contrário: precisamos olhar para a escola como um sistema no qual todos estão tentando desempenhar seus papéis em meio a transformações profundas.

Um dos pontos levantados pela psiquiatra é o sentimento de desempoderamento do professor. A sensação de estar diante de uma turma sem instrumentos suficientes para estabelecer limites, conduzir conflitos e fazer cumprir regras.

E aqui precisamos fazer uma distinção importante: autoridade não é autoritarismo.

Dar ao professor condições para exercer sua autoridade pedagógica não significa permitir humilhação, violência ou punição indiscriminada. Significa reconhecer que ensinar também exige poder dizer “não”, interromper um comportamento inadequado, estabelecer consequências e sustentar combinados.

Uma criança ou um adolescente não precisa de um adulto que tenha medo de estabelecer limites. Precisa de um adulto que consiga estabelecer limites sem deixar de acolher.

O problema é que, muitas vezes, a escola parece estar tentando equilibrar pratos demais ao mesmo tempo.

O professor precisa ensinar, administrar conflitos, lidar com diferentes necessidades, dialogar com famílias, preencher documentos, cumprir demandas institucionais e ainda preservar a própria saúde emocional.

As famílias, por sua vez, também vivem uma realidade complexa. Muitas estão sobrecarregadas, tentando compreender mudanças na infância e na adolescência que sequer existiam quando eram crianças. E nem sempre sabem onde termina sua responsabilidade e começa a da escola.

Os gestores também estão no meio dessa equação, tentando conciliar expectativas de professores, famílias, alunos, legislação e mantenedores.

No fim, talvez estejamos olhando uns para os outros quando deveríamos estar olhando para o problema.

Quando um professor se sente sem respaldo, a consequência não fica restrita ao profissional. Quando uma família se sente permanentemente julgada pela escola, a relação se fragiliza. Quando um aluno percebe que regras não são sustentadas, ele também perde uma referência importante. E, quando o gestor precisa administrar conflitos o tempo inteiro, em vez de construir condições para que eles sejam prevenidos, toda a comunidade escolar se desgasta.

Uma reflexão válida deveria responder a uma pergunta que me faço constantemente: “Como podemos reconstruir uma autoridade pedagógica que seja firme sem ser autoritária, acolhedora sem ser permissiva e respeitosa sem abrir mão dos limites?”

Não dá para escolher entre acolhimento e disciplina, entre escuta e limite ou entre direitos dos alunos e respeito aos professores.

A comunidade escolar e as famílias precisam de tudo isso.

A escola não é lugar de ensinar conteúdos apenas. Também é espaço de convivência, responsabilidade, respeito, frustração, reparação e limites. Isso exige adultos que tenham condições de exercer suas funções, e elas precisam ser muito claras.

Precisamos parar de debater quem está certo ou errado e começar a discutir que condições estamos oferecendo para que todos consigam fazer bem aquilo que lhes cabe.

Uma escola saudável não é aquela em que nunca existem conflitos. É aquela em que eles podem ser enfrentados com clareza, responsabilidade e corresponsabilidade, sem que ninguém precise adoecer para que a educação aconteça.

 

Christiane Indaiá

Graduada em Letras – Português – Inglês – Literatura – UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce

Professora especialista em Língua Inglesa (24 anos de experiência em cursos livres e ensino fundamental I e II)

Experiência em preparatório para FCE Cambridge Exam

Certificada Cambridge

Pós-graduanda em Comunicação Assertiva pela PUC Minas

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Slide anterior
Próximo slide

publicidade

publicidade