O candidato ao Senado José Medeiros (PL) reagiu à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu à candidata Janaína Riva (MDB) metade do tempo de propaganda eleitoral destinado à chapa. Em tom crítico, Medeiros afirmou que não se surpreendeu nem com a iniciativa da adversária de recorrer à Justiça nem com o resultado obtido no Supremo.
Ao comentar a decisão, o candidato do PL classificou Janaína como uma “candidatura muito bem relacionada com ministros do STF” e questionou o fato de o recurso ter chegado diretamente ao Supremo após o pedido ter sido rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
“Cumprir acordos nunca foi uma marca do MDB de Mato Grosso e nada mais conveniente para uma candidata muito bem relacionada com ministros do STF do que recorrer ao Supremo — e não ao TSE — e ter uma decisão favorável em tempo recorde vinda justamente de Alexandre de Moraes”, declarou Medeiros.
A disputa envolve a divisão do horário eleitoral entre Medeiros e Janaína, que integram a mesma coligação na corrida pelas duas vagas ao Senado por Mato Grosso. Inicialmente, os partidos haviam estabelecido uma distribuição baseada no tempo pertencente a cada legenda, com o restante dividido entre os candidatos.
A definição, no entanto, acabou judicializada após Janaína questionar a divisão. O TRE-MT rejeitou o pedido, mas a candidata recorreu ao STF. Ao analisar o caso, Moraes determinou que o espaço destinado aos dois candidatos seja dividido igualmente, garantindo 50% da propaganda para Janaína e 50% para Medeiros.
A decisão alterou, na prática, a divisão que vinha sendo utilizada pela coligação e reduziu o espaço que estava reservado ao candidato do PL.
Medeiros também aproveitou a decisão para retomar críticas à formação da aliança entre PL e MDB. Segundo ele, o episódio reforça sua posição contrária à coligação e serve como estímulo para a militância bolsonarista intensificar a campanha nas ruas e nas redes sociais.
“Esse processo só confirma que eu estava certo ao não querer o PL coligado com um partido de esquerda e que nossa candidatura está forte e a caminho da vitória”, afirmou.
O candidato ainda citou sua relação política com Moraes para criticar a decisão. Medeiros afirmou que possui pedidos de impeachment contra o ministro e mencionou uma solicitação de prisão apresentada por ele.
“Fazer uma ação contra mim e ter uma decisão favorável justamente de Alexandre de Moraes, que tem cinco pedidos de impeachment e um pedido de prisão feitos por mim”, disse.
Apesar da perda de parte do espaço no horário eleitoral, Medeiros afirmou que pretende compensar a redução do tempo de televisão com mobilização política. Para ele, a decisão não deve comprometer sua candidatura e pode, ao contrário, aumentar o empenho da militância.
“Essa decisão é o maior incentivo que a nossa militância pode ter para redobrar os esforços e compensar esses segundos de propaganda com 30 dias de muita mobilização nas ruas e nas redes para garantir a eleição do único candidato da chapa majoritária apoiado por Bolsonaro no Mato Grosso”, declarou.
Ao final, Medeiros voltou a atacar o MDB e afirmou que o eleitor deverá avaliar a estratégia adotada pela legenda nas urnas.
“As urnas vão mostrar que esse foi mais um grande erro estratégico do MDB”, concluiu.















