A delegada aposentada Ana Cristina Feldner, que chegou a ser anunciada como primeira suplente de Janaína Riva (MDB) na disputa ao Senado, voltou a criticar publicamente a candidata após ser substituída na chapa. Em vídeo publicado nas redes sociais, Feldner questionou a escolha do empresário Danilo Berndt Trento para ocupar a primeira suplência e citou investigações que envolvem empresas ligadas a ele.
Ao questionar os critérios utilizados para a escolha, a ex-delegada fez referência a supostas conexões empresariais com investigações envolvendo o crime organizado.
“Qual o critério de escolha? Por que esse empresário, com empresa em São Paulo, de intermediação de negócios, que aparece em três CPIs, é o escolhido para ser o primeiro suplente?”, afirmou.
Em outro trecho, Feldner mencionou especificamente a existência de informações relacionadas ao PCC e questionou a escolha de Trento para uma posição que poderá levá-lo ao Senado caso Janaína assuma o mandato.
A fala ocorre em meio ao histórico de investigações que atingiram empresas ligadas ao empresário. Documentos do Senado mostram que a T5 Participações, da qual Trento foi sócio até 2024, foi alvo de pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal aprovado pela CPMI do INSS. A comissão também aprovou pedidos de quebra de sigilo e acesso a informações financeiras do próprio Trento.
Empresas aparecem em investigações sobre PCC
A relação mencionada por Feldner tem como base movimentações financeiras que passaram a ser analisadas por comissões parlamentares.
Segundo reportagem do UOL, a T5 Participações realizou um pagamento de R$ 90 mil para a Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), empresa que, conforme a reportagem, era suspeita de envolvimento com o PCC. A publicação também apontou que Trento transferiu cerca de R$ 700 mil para o BK Bank, instituição que apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto por suspeitas de utilização em operações de lavagem de dinheiro.
A Agência Pública também relatou que a CPI do Crime Organizado passou a investigar transações envolvendo empresas de Trento. Segundo a publicação, informações obtidas a partir de dados do Coaf indicaram movimentações da BSF Gestão em Saúde e da T5 Participações que motivaram pedidos de investigação no Senado.
Um requerimento apresentado na CPI do Crime Organizado vai além e afirma que a quebra de sigilo de Trento e de suas empresas teria como objetivo rastrear o fluxo financeiro entre as companhias, a REAG, o Banco Master e operadores apontados como integrantes do PCC. O documento cita expressamente a T5 Participações e a BSF Gestão em Saúde.
Essas informações, contudo, não significam que Danilo Trento tenha sido identificado como integrante do PCC ou condenado por participação na organização criminosa. O que existe, nos documentos consultados, são investigações e pedidos de quebra de sigilo destinados a esclarecer movimentações financeiras e possíveis conexões.
“Nunca fui investigada por corrupção”
Na gravação, Feldner contrapõe as suspeitas envolvendo o suplente à própria trajetória na Polícia Civil.
“Durante todo o meu trabalho, mais de duas décadas, eu nunca fui investigada por corrupção. Nenhuma das minhas investigações foram anuladas. Meu trabalho sempre permaneceu em pé e eu nunca tive uma acusação de corrupção contra mim”, afirmou.
A delegada aposentada disse ainda que sua substituição não deveria ser analisada apenas sob a perspectiva de uma mulher ter sido trocada por um homem, mas também pela diferença entre os históricos que, segundo ela, representam os dois nomes.
“Não se trata da substituição da mulher por um homem, mas também da substituição de alguém que combateu a corrupção, que combateu o crime e colocado alguém com crime de repercussão nacional”, declarou.
No fim do vídeo, Feldner afirmou que Janaína Riva não a representa como mulher e que a família Riva não a representa na pauta de combate à corrupção.
Janaína defende mudança na chapa
Questionada sobre a substituição dos suplentes e as críticas relacionadas a Trento, Janaína afirmou que a alteração já estava prevista pelo partido e que o processo ocorreu após a homologação da candidatura.
“Sou alvo constante de críticas por parte dos meus adversários, o que é natural, considerando que lideramos as pesquisas”, disse.
A candidata afirmou ainda que sua trajetória não deveria ser associada aos atos de integrantes da chapa.
“É fundamental que permitam que uma mulher seja protagonista em sua própria trajetória política. Tentam constantemente associar minha imagem a terceiros, mas a candidata e a futura senadora de Mato Grosso sou eu”, declarou.
Com a reformulação, Danilo Trento passou a ocupar a primeira suplência e Rafael Yamada Torres a segunda. Trento declarou patrimônio de R$ 3,18 milhões à Justiça Eleitoral, sendo R$ 2,01 milhões em quotas da BSF Gestão em Saúde e R$ 1 milhão em quotas da T5 Participações.

















