O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) saiu em defesa do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), seu aliado político e parceiro de gestão, após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que colocou o ex-governador no centro de uma investigação sobre um acordo de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Durante coletiva de imprensa na sexta-feira (14), Pivetta afirmou que não acredita que Mauro tenha cometido qualquer ato ilícito e classificou como “especulação” as suspeitas relacionadas ao ex-governador.
“Tem conversa para todos os gostos nessa época. O Mauro é um parceiro que eu resolvi fazer parceria com ele em 2010 já, para governar Mato Grosso. Foi inquestionavelmente o governador mais realizador da história de Mato Grosso. Eu nunca vi, nunca tive notícia de que ele tenha praticado algo ilícito. Eu confio nele. E qualquer especulação que tiver, para mim, não passa disso. Eu confio no Mauro e nós vamos seguir”, declarou.
A declaração ocorre pouco mais de uma semana após a Polícia Federal deflagrar a Operação Heritage, em 6 de agosto. A investigação apura suspeitas de desvios superiores a R$ 300 milhões relacionados a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Entre os alvos estão Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), familiares dos dois e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Ulisses Rabaneda.
Além das buscas, decisões judiciais determinaram medidas cautelares contra os investigados, incluindo bloqueio de bens e valores, quebra de sigilo bancário e recolhimento de passaportes, conforme as informações divulgadas sobre a operação.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. As suspeitas estão relacionadas ao acordo tributário envolvendo precatórios da Oi.
Mauro Mendes, por sua vez, nega irregularidades e afirma que o acordo de R$ 308,1 milhões foi regular. Após a operação, o ex-governador apresentou documentos para sustentar sua versão e afirmou que o negócio passou por análises de órgãos de controle. Também classificou a investigação como uma suposta “armação eleitoral”.
Mesmo diante da investigação, Pivetta afirmou que manterá a parceria política com Mauro Mendes. Os dois estiveram à frente do Governo de Mato Grosso entre 2019 e 2022, com Pivetta ocupando o cargo de vice-governador.
A defesa pública ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026, na qual Pivetta tenta a reeleição ao Governo de Mato Grosso, enquanto Mauro Mendes disputa uma vaga ao Senado. A Operação Heritage passou a integrar o debate político estadual e já provocou críticas de adversários e manifestações de integrantes do próprio grupo político.
Até o momento, a Operação Heritage está em fase de investigação, e as suspeitas apuradas pela Polícia Federal não representam, por si só, condenação ou comprovação definitiva de crime por parte dos investigados.


















