A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), voltou a acusar a Câmara Municipal de dificultar a gestão financeira do município ao não pautar projetos que autorizam o remanejamento do orçamento. Segundo ela, a demora tem impedido a utilização de recursos que poderiam ser destinados à compra de medicamentos e ao custeio de serviços essenciais.
Durante entrevista nesta sexta-feira (3), Flávia afirmou que a administração tem sido obrigada a fazer um rígido contingenciamento de despesas para manter o abastecimento da rede de saúde.
“Tenho dinheiro parado na Câmara para comprar remédio. Eu só preciso de autorização para remanejamento do orçamento”, declarou.
A prefeita disse que precisou adiar investimentos em outras áreas para priorizar a saúde. “Eu deixo de fazer tapa-buraco para comprar remédio”, afirmou, acrescentando que a população cobra melhorias na infraestrutura, mas que a gestão tem priorizado ações consideradas essenciais para preservar vidas.
Sem citar novos projetos específicos, Flávia responsabilizou o presidente da Câmara, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), por não colocar em votação propostas encaminhadas pelo Executivo. Segundo ela, o parlamentar tem dificultado a administração municipal por fazer oposição ao governo.
“É claro que ele é minha oposição, é claro que ele não quer que eu faça uma excelente gestão. Então, ele dificulta aquilo que ele me aponta”, disse.
A prefeita também afirmou que já solicitou diversas vezes que o Legislativo pautasse matérias relacionadas ao orçamento e argumentou que a autorização é necessária apenas para remanejar recursos já existentes no caixa, sem criação de novas despesas.
O embate entre Executivo e Legislativo ocorre desde o início da gestão e gira em torno do percentual de remanejamento orçamentário autorizado à Prefeitura. A Câmara reduziu a margem de remanejamento para 5% do orçamento municipal, enquanto a prefeita sustenta que o limite é insuficiente para garantir agilidade na execução das despesas. Flávia afirma que a restrição tem comprometido a compra de medicamentos e outros serviços considerados prioritários.
Já Wanderley Cerqueira nega que a Câmara esteja impedindo o funcionamento da Prefeitura. O presidente do Legislativo afirma que os vereadores apenas exercem o papel de fiscalização dos gastos públicos e argumenta que o percentual de 5% representa cerca de R$ 100 milhões em remanejamentos, valor que, segundo ele, seria suficiente para atender às demandas da administração. O parlamentar também afirma que novos pedidos podem ser analisados caso o Executivo comprove a necessidade.


















