A declaração do senador Carlos Fávaro (PSD) sobre a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), provocou reação imediata na ala da direita, pois, ao comentar a decisão de parte do Senado em barrar a indicação, Fávaro afirmou que a medida representaria não apenas uma escolha institucional, mas também um desrespeito à “vontade do povo de Deus”, especialmente de segmentos cristãos que, segundo ele, apoiavam o nome indicado.
A fala, no entanto, foi duramente criticada pela vereadora de Cuiabá, Samantha Iris (PL), que contestou tanto o conteúdo quanto a interpretação religiosa feita pelo senador. Em tom incisivo, ela questionou a associação entre a decisão política e uma suposta vontade divina, além de rebater o argumento de apoio majoritário entre cristãos.
“Fávaro, eu acho que nem você acredita que barrar o Messias no STF era barrar a vontade do povo de Deus. Que povo de Deus você está falando? Crente de esquerda? Cristão de esquerda? Porque isso todo mundo sabe, todo mundo está cansado de saber que cristão de esquerda não existe”, declarou a vereadora.
Samantha também criticou o posicionamento ideológico atribuído ao indicado e afirmou que a escolha não representaria valores defendidos por parte da população cristã.
“Agora, o mais engraçado ainda é o senhor vir falar que a vontade do povo de Deus era colocar como ministro do STF um cara que é a favor do aborto. Aonde que isso é vontade do povo cristão? Sinceramente, eu não sei de onde o senhor tirou isso”, acrescentou.
A parlamentar ainda classificou a reação governista como uma tentativa de justificar derrotas recentes no cenário político nacional.
“Mas olha, é choradeira de petista, sabe? Porque o governo do Lula foi derrotado duas vezes em dois dias. Primeiro, barrando a indicação ao STF do Messias. […] Tchau querido então, foi o dia do tchau querido e, segundo, rejeitando o veto da dosimetria, duas derrotas em dois dias do governo do Lula”, afirmou.
Por fim, Samantha Iris concluiu sua manifestação reforçando o caráter político das decisões e convocando apoiadores a manterem mobilização. “Isso foi um recado do povo brasileiro. Agora, o que o povo de Deus pode fazer é continuar em oração para que a gente continue vencendo e para que ainda esse ano a gente consiga livrar o nosso país do PT, desse governo do mal que está acabando com o Brasil.”
O episódio evidencia o acirramento do debate político em torno de indicações ao STF, além de expor divergências sobre o uso de argumentos religiosos no campo institucional.

















