O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), defendeu uma reavaliação interna no Partido Liberal após as divergências entre lideranças da sigla durante as eleições de 2026 em Mato Grosso. Sem apontar qual grupo saiu fortalecido do pleito, o gestor afirmou que o resultado das urnas deve servir de parâmetro para avaliar as decisões políticas e a atuação dos representantes perante a população.
A declaração ocorre após o desgaste provocado pela aliança firmada pelo presidente estadual do PL, Ananias Filho, e pelo senador Wellington Fagundes com o MDB da deputada estadual Janaina Riva que também concorreu ao Senado. A articulação foi contestada por outra ala do partido, que reúne Cláudio Ferreira, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, o deputado estadual Gilberto Cattani, além de outros prefeitos e candidatos que manifestaram apoio à candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso.
Ao falar sobre qual grupo teria saído vitorioso da disputa, considerando o desempenho eleitoral da sigla, que elegeu um senador, três deputados federais e quatro estaduais, Cláudio evitou personalizar o resultado ou atribuir a vitória a uma das alas do partido.
“Olha, eu não vou dizer qual PL saiu ganhando. Eu vou dizer que o povo. Pessoas saíram ganhando. Nós não podemos ignorar o resultado das urnas. As urnas, os resultados, eles falam por si só. Eles falam por si só. O que estava errado, o que estava certo, o que as pessoas esperavam das suas lideranças. É muito importante”, declarou.
Na avaliação do prefeito, os agentes políticos precisam manter uma relação direta com as expectativas da população, independentemente do cargo que ocupam. Para ele, o distanciamento entre representantes e eleitores pode resultar em perdas nas urnas.
“Não importa se você é um vereador, não importa se você é um deputado, se você é um prefeito, um senador, nem mesmo um presidente. Você nunca deve perder de vista que você representa alguém, que você representa a vontade de alguém. O mandatário não representa a si próprio, ele é um representante de alguém. Então, quando você perde a conexão com a vontade das pessoas, você termina colhendo prejuízo eleitoral”, afirmou.
Cláudio também rejeitou a ideia de transformar o resultado das eleições em uma disputa particular entre lideranças. Segundo ele, o momento exige humildade para reconhecer a decisão dos eleitores e compreender os recados transmitidos pelas urnas.
“Eu acredito que o povo deu uma grande resposta, uma grande resposta, e nós temos que ter humildade. Não tem esse negócio aqui, fulano de tal vencer, eu não tenho isso comigo, eu acredito muito nessa conexão, no que as pessoas querem, então você tem que estar atento. O grande vitorioso foi o povo brasileiro, quem realmente acredita na democracia tem que respeitar isso, mesmo que não concorde com a maioria, nós temos que respeitar”, pontuou.
Cláudi falou sobre a possibilidade de mudanças no comando estadual do PL diante das divergências entre os grupos. O prefeito reconheceu que a existência de diferentes posicionamentos faz parte da dinâmica partidária. Ele afirmou que não tem dificuldade em conviver com opiniões contrárias e destacou que suas discordâncias são direcionadas às ideias, e não às pessoas.
“Olha, o nome já fala, é partido, nome inteiro, é partido, então tem ideias de um jeito e ideias de outro. Eu particularmente convivo muito bem com o contraditório, não tenho dificuldade. Você nunca me viu nem no momento mais crítico agredindo qualquer liderança que seja, eu não agrido os meus pares, eu quando eu discordo eu ataco as ideias, eu jamais você vai me ver esculhambando pessoas, eu não faço isso”, declarou.
A fala ocorre após episódios de tensão envolvendo integrantes do partido, incluindo críticas e acusações de traição dirigidas a lideranças que não acompanharam a estratégia eleitoral defendida pela direção estadual. Perguntado se sua manifestação estava relacionada ao fato de ter sido chamado de traidor, Cláudio afirmou que disputas políticas também exigem revisão de posicionamentos e diálogo.
“Alguém queria criar alguma narrativa e isso está errado, a gente tem também que sempre é momento para a gente reavaliar, se reposicionar, a gente não acerta toda vida, a gente não é a toda vida, então cabe a cada um de nós uma reflexão profunda. É o momento de conversar dentro e fora, é o momento de conversar dentro e fora”, disse.
Embora não tenha confirmado uma eventual mudança no comando estadual do PL, o prefeito considerou que transformações fazem parte do funcionamento da democracia e do sistema representativo. Para ele, a renovação é necessária para que as estruturas políticas acompanhem as mudanças da sociedade.
“Olha, mudança, mudanças ela sempre, ela sempre acontece. O sistema representativo, a democracia, ela preconiza isso, a mudança. Se não tivesse, não fosse necessária a mudança, não tinha eleição de quatro em quatro anos”, afirmou.
Ao concluir, Cláudio recorreu a uma conhecida reflexão sobre os riscos da concentração de poder, em uma declaração que reforça a necessidade de vigilância e renovação nas estruturas políticas.
“O poder, ele tende a corromper e o poder absoluto, ele corrompe absolutamente”, finalizou.



















