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ELEITA DEPUTADA

Após eleição da esposa, Cláudio critica tese de que primeira-damas dependem dos maridos

Na avaliação do prefeito, a eleição da esposa representa também uma oportunidade de retribuir o apoio que recebeu ao longo dos anos

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O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), saiu em defesa da esposa, Alessandra Ferreira (Podemos), eleita deputada estadual, e rejeitou as avaliações de que o resultado nas urnas teria sido consequência, principalmente, da posição que ela ocupa como primeira-dama do município. Para o gestor, esse tipo de interpretação desconsidera a trajetória profissional e política da nova parlamentar e pode representar uma análise preconceituosa sobre a participação feminina na política.

Alessandra conquistou mais de 40 mil votos em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), tornando-se a deputada estadual mais votada da história do município. Ao comentar o resultado, Cláudio destacou a origem humilde da esposa, a experiência profissional e a atuação desenvolvida na área de assistência social durante sua gestão à frente da Prefeitura.

“Alessandra é uma grande mulher, uma pessoa que tem uma história de vida muito parecida com a minha e da grande maioria dos brasileiros, uma pessoa de origem humilde, assim como eu, origem inclusive agrária”, afirmou o prefeito.

Casados há mais de 22 anos e pais de dois filhos, Cláudio ressaltou que Alessandra abriu mão da atuação na odontologia, sua área de formação, para trabalhar na gestão da empresa da família. Segundo ele, ela também foi uma das principais responsáveis por dar suporte à sua trajetória política, inclusive nos bastidores das campanhas eleitorais.

“Uma grande companheira, uma grande profissional que inclusive abriu mão do ofício ali da formação profissional dela, ela é odontóloga, para estar conosco na empresa fazendo gestão de pessoas, gestão financeira”, relatou.

O prefeito também falou da participação de Alessandra na assistência social do município, onde, segundo ele, desenvolveu iniciativas que tiveram repercussão positiva. Entre elas, citou o programa “Meu Primeiro Trampo”, voltado à oferta de oportunidades de estágio no serviço público para adolescentes a partir dos 16 anos.

De acordo com Cláudio, a proposta surgiu da identificação de uma lacuna entre a idade em que os jovens começam a buscar experiência profissional e o momento em que podem ingressar em determinadas atividades no mercado de trabalho. A iniciativa, segundo ele, poderá ser levada por Alessandra para o âmbito estadual.

“Ela detectou isso, fez esse programa, o Primeiro Trampo, inclusive é uma das propostas, é de trazer isso para nível do estado de Mato Grosso, para permitir que os adolescentes consigam o estágio também no setor público e possam incrementar a receita das famílias, principalmente daqueles que mais precisam”, explicou.

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Ao ser questionado sobre o peso de sua própria opinião na avaliação da esposa, Cláudio reconheceu que poderia ser considerado suspeito para falar sobre as qualidades de Alessandra, mas argumentou que a eleição representa uma manifestação direta da população.

“Olha, como você bem disse, é a minha opinião, eu sou suspeito de testemunhar dela, mas ela passou pelo teste das urnas, pelo sufrágio, ela nasceu em Rondonópolis, ela tem a vida dela ali, e o juízo popular foi esse, então ela passou por esse crivo”, declarou.

Na avaliação do prefeito, a eleição de Alessandra também está inserida em um processo de ampliação da independência política das mulheres brasileiras. Ele afirmou ter percebido esse movimento durante as eleições municipais de 2024, quando, segundo relatou, eleitoras diziam que pretendiam votar em candidatos diferentes daqueles escolhidos por seus maridos.

“Eu percebi esse movimento de independência política já em 2024 nas eleições de prefeito. Eu andava pelas ruas e muitas mulheres diziam para mim: ‘Olha, o meu marido vai votar em alguém, vai votar em fulano, mas eu tomei a decisão de votar em você’. Eu ficava impressionado com aquilo”, contou.

Para Cláudio, essa mudança de comportamento contribuiu para os resultados eleitorais e tende a se fortalecer nos próximos anos. Ele também ressaltou a capacidade profissional das mulheres e defendeu maior participação feminina nos espaços de poder e decisão.

O prefeito mencionou ainda a eleição de Alessandra e de Samantha Íris, primeira-dama de Cuiabá, como um avanço na representação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Cláudio classifica crítica como preconceituosa

A principal contestação do prefeito ocorreu ao ser questionado sobre o fato de Alessandra e Samantha também serem primeiras-damas e, por isso, supostamente terem sido beneficiadas pela projeção política de seus maridos.

Cláudio reconheceu que o apoio dos companheiros pode contribuir para uma candidatura, mas afirmou que atribuir o resultado eleitoral exclusivamente a essa condição desconsidera a capacidade individual das eleitas. Para sustentar o argumento, citou candidatas com vínculos familiares com figuras políticas conhecidas que não conseguiram se eleger.

“Se a gente fizer isso, a gente tá fazendo, com todo o respeito, dizer que a Alessandra, que a Samantha foi eleita por conta dos esposos, eu acho que a gente tá fazendo uma análise um tanto quanto preconceituosa, sectária”, afirmou.

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Na sequência, mencionou a candidatura de Leitinha, filha do senador Carlos Fávaro, e de Jéssica, irmã da deputada estadual Janaina Riva, como exemplos de mulheres que disputaram as eleições sem alcançar o mesmo resultado.

“Então sim, nós não podemos dizer, atribuir a eleição da Samantha, ou a eleição da Alessandra, por causa da minha esposa, ao fato de elas serem primeira-dama”, declarou, ao se referir à tese de que a posição familiar teria sido determinante para o sucesso eleitoral.

O prefeito ponderou, entretanto, que o apoio político e familiar tem importância e pode contribuir para a construção de uma candidatura. Para ele, o reconhecimento desse suporte não deve anular os méritos pessoais das mulheres eleitas.

“Isso não é naturalmente que ajuda, mas é aquele caso que eu disse aqui. Talvez eu cheguei a ser prefeito, deputado, porque eu sou esposo dela. Mas por que não? Por que só ela se tornou deputada, porque é minha companheira, minha esposa?”, questionou.

Ao aprofundar a defesa de Alessandra, Cláudio afirmou que a trajetória política dele próprio também foi construída com a participação da esposa, que, segundo relatou, esteve presente na organização familiar, na gestão financeira e na estruturação de suas campanhas.

Ele argumentou que a atuação de Alessandra não se limitou à condição de companheira de um agente público, mas envolveu responsabilidades profissionais e familiares que contribuíram para que ele pudesse se dedicar à vida política.

“Talvez eu tenha sido prefeito, eu tenha sido deputado, porque eu tive uma companheira que sempre segurou a minha mão, que cumpriu o maior dever humano, que é formar outro ser humano, no caso, educar o filho”, afirmou.

Na avaliação do prefeito, a eleição da esposa representa também uma oportunidade de retribuir o apoio que recebeu ao longo dos anos. Ele disse que Alessandra esteve nos bastidores de sua trajetória, cuidando de tarefas importantes para o funcionamento da empresa familiar e para a organização das campanhas.

“Eu fiz pela Alessandra, o que ela sempre fez por mim, o que ela sempre fez por mim. Ela sempre estava nos bastidores, cuidando de tudo, cuidando da gestão financeira das campanhas, sendo responsável por tudo, e agora eu fiz por ela o que ela fez por mim”, concluiu.

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