O prefeito Abílio Brunini (PL) afirmou nesta terça-feira (06), que a eleição unânime de Ilde Taques (Podemos) para a presidência da Câmara Municipal de Cuiabá não representa uma derrota política do Executivo.
Ao ser questionado se os 27 votos a favor da chapa demonstrariam que o Palácio Alencastro teria perdido o controle da base, o prefeito respondeu com ironia.
“Demonstra justamente isso. A gente perdeu totalmente o controle da base. A gente não tem mais controle de ninguém. Nunca teve. Então, a gente percebeu que 27 vereadores, inclusive minha esposa agora, está junto com eles”, ironizou, já que Samantha Iris (PL) também votou pela eleição de Ilde.
Na sequência, Abílio reforçou que mantém uma relação institucional com os vereadores e minimizou qualquer interpretação de rompimento entre Executivo e Legislativo.
“Lógico que não. A gente tem uma relação muito boa com o Poder Legislativo. E faz parte do jogo”, afirmou.
Segundo o prefeito, a composição que levou à eleição de Ilde ocorreu dentro da dinâmica própria do Parlamento. Para Abílio, quando uma candidatura não reúne votos suficientes para vencer, a construção de um acordo entre os vereadores é natural para evitar uma divisão interna.
“Se uma chapa não consegue formalizar o número de votos o suficiente para ganhar a eleição, se monta um projeto de composição, porque o Parlamento não pode ficar dividido e não vai ficar brigando”, disse.
O prefeito também elogiou a postura dos parlamentares que aderiram à composição vencedora e classificou o resultado como demonstração de maturidade política.
“Isso só demonstra que eles têm maturidade. Isso só demonstra que os vereadores possuem maturidade política, de saber reconhecer a vitória do outro”, afirmou.
Abílio ainda parabenizou Ilde pela vitória e destacou a capacidade dos vereadores de chegarem a um entendimento mesmo diante de projetos diferentes.
“Então, parabéns ao Ilde Taques, a vitória que ele conseguiu, a composição dos números de votos necessários. E parabéns aos demais vereadores que estavam em outro projeto, que, de forma madura, conseguiram reconhecer a vitória do outro de uma forma positiva no processo eleitoral”, declarou.
Ao responder se pretende mudar sua postura e reduzir a frequência de visitas à Câmara Municipal, uma vez que sua presença constante no Legislativo é alvo de críticas de setores da oposição e de vereadores independentes, Abílio afirmou que continuará mantendo contato próximo com os parlamentares.
“Eu venho mais porque minha esposa está aqui e agora vou frequentar um pouco mais a Assembleia Legislativa. Mas, em todo caso, eu pretendo continuar vindo à Câmara Municipal. Eu acho que não existe nenhuma ilegalidade nisso, é um processo natural”, afirmou.
O prefeito comparou sua presença no Legislativo à frequência com que vereadores visitam o Palácio Alencastro para tratar de demandas e conversar com o Executivo.
“O prefeito conversar com os vereadores é normal. É como se eu chegasse e falasse que eu não queria que os vereadores visitassem a Prefeitura. Todo dia tem vereador na Prefeitura, todo dia tem vereador me visitando lá, tem todo dia conversando comigo. Da mesma forma, uma vez por semana eu vir aqui conversar com eles, não tem problema nenhum”, argumentou.
Abílio também negou que tenha articulado diretamente a composição que garantiu a eleição de Ilde e voltou a afirmar que a Câmara sempre teve autonomia em relação ao Executivo.
“Eu nunca tive o controle da Câmara, isso é bom deixar claro. Se eu tivesse o controle da Câmara, não seria dessa forma que teria os resultados”, afirmou.
Para o prefeito, a decisão dos vereadores de formar uma chapa única está relacionada à própria dinâmica do Legislativo e não a uma eventual perda de influência do Executivo.
“A Câmara sempre foi muito autônoma, sempre foi independente, sempre teve muita liberdade”, declarou.
Abílio ainda afirmou que, desde o início da gestão, vereadores que integravam ou eram próximos à base governista tiveram liberdade para fazer críticas ao prefeito e votar de maneira independente.
“Muitas das vezes saíam as matérias: ‘ah, o vereador da base está batendo no prefeito’. Nunca teve nenhuma restrição. O vereador da base está batendo na gente, sempre foi assim”, concluiu.















