O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que a atual gestão enfrenta um cenário crítico na rede municipal de ensino e que a recuperação das unidades escolares exige investimentos milionários e planejamento gradual. Durante entrevista, o gestor detalhou a situação estrutural das creches, escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), ressaltando que grande parte das unidades necessita de intervenções urgentes.
Segundo o prefeito, das 172 unidades da rede municipal, 78 demandam atenção considerada prioritária.
“Creches, escolas, CMEIs, 78 precisando de reforma e de manutenção. São 172. De 172, 78 precisam de atenção especial. Para corrigir essas 78 unidades, nós precisamos de R$ 600 milhões”, declarou.
Abílio reconheceu que o município não possui capacidade financeira para executar todas as obras simultaneamente e afirmou que a administração trabalha dentro das limitações orçamentárias.
“A gente não tem R$ 600 milhões para corrigir tudo de uma vez. Bem queria eu que no primeiro dia de gestão iniciasse a reforma de tudo, a correção de tudo. Mas você acompanhou o jeito que nós pegamos a gestão e não dá para fazer tudo ao mesmo tempo”, disse.
O prefeito informou que a Prefeitura mantém atualmente um investimento mensal de aproximadamente R$ 3 milhões destinados à manutenção e recuperação das unidades escolares. Ele citou ainda o caso de uma escola que funciona há mais de 13 anos em imóvel alugado e que, segundo ele, ficou abandonada por administrações anteriores.
“A escola foi abandonada pela Prefeitura durante anos. Agora a gente está buscando uma solução. O espaço ainda não está pronto, então não tem como transferir as crianças imediatamente. Nosso foco é concluir a reforma dentro de 30, no máximo 60 dias, para levar os alunos para um local muito melhor”, explicou.
Abílio também afirmou que o município possui projetos aprovados para novas unidades escolares, inclusive cadastradas no Novo PAC, do governo federal. No entanto, segundo ele, os recursos ainda não foram liberados.
“O governo federal, a gente cadastrou quatro novas unidades. As quatro foram aprovadas, mas o governo federal não mandou um centavo de recurso para nós. Temos o projeto pronto, aprovado, mas sem dinheiro não dá para fazer”, pontuou.
O prefeito relatou ainda dificuldades enfrentadas com obras paralisadas devido a débitos herdados de gestões anteriores. Conforme explicou, empresas contratadas interromperam serviços por falta de pagamento referente aos anos de 2023 e 2024.
“Tem empresa que está sem receber desde 2023 e 2024. Ela para a obra porque não aguenta continuar investindo sem capital de giro. Só que, se a gente for pagar tudo agora, a Prefeitura não consegue fazer nada em 2025 e 2026. Então precisamos equilibrar as contas e colocar as coisas em ordem”, afirmou.
Ao concluir, Abílio comparou o processo de reconstrução administrativa ao trabalho de reconstruir uma parede destruída, ressaltando que as soluções exigem tempo e esforço contínuo.
“Quebrar uma parede é rápido. Agora, reconstruir exige tijolo, massa, pedreiro e muito trabalho. É isso que estamos fazendo: pegando várias paredes destruídas pela antiga gestão e corrigindo tijolo por tijolo, passo a passo”, finalizou.

















