A investigação da Operação Fariseus aponta que Rhavenna Barcelos de Almeida, presa em Cuiabá sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV), mantinha relacionamentos amorosos com dois integrantes de destaque da facção em Mato Grosso. Além de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, os investigadores identificaram uma relação com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores da organização criminosa no Estado.
A informação veio à tona após a análise de mensagens, fotografias, áudios e vídeos apreendidos durante a investigação e exibidos pelo Fantástico, da TV Globo. Segundo a polícia, o conteúdo ajudou a revelar que os vínculos de Rhavenna com integrantes da facção iam além do contato mantido por meio do projeto religioso utilizado pela família para visitar presos.
Relação com “Batman”
Um dos relacionamentos investigados era com “Batman”, apontado pela Polícia Civil como liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele cumpre pena superior a 49 anos e está foragido desde 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica durante o cumprimento do regime semiaberto e fugiu para o Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, Rhavenna continuou mantendo contato com o criminoso após a fuga e teria conhecimento da localização dele no Rio. Registros analisados pelos investigadores também indicariam encontros entre os dois e viagens de Rhavenna para comunidades controladas pelo CV.
Em uma das mensagens reveladas na investigação, Rhavenna demonstra intimidade ao comentar sobre um Porsche associado a “Batman”. Para os investigadores, o conjunto de registros reforça a suspeita de que a relação entre os dois não se limitava à atuação religiosa ou a contatos ocasionais.
Segundo relacionamento
Além de “Batman”, a polícia identificou Renildo Silva Rios como outro homem com quem Rhavenna teria mantido um relacionamento. Ele é citado nas investigações como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e está preso há mais de duas décadas na Penitenciária Central do Estado (PCE).
De acordo com as informações divulgadas após a reportagem do Fantástico, Renildo também teria enviado presentes a Rhavenna durante o relacionamento. Entre os itens mencionados estão uma joia personalizada e um veículo, sendo que uma das entregas teria sido registrada em vídeo por uma amiga da investigada.
A existência dos dois relacionamentos passou a integrar o conjunto de elementos usados pelos investigadores para reconstruir a rede de contatos mantida por Rhavenna com integrantes da facção.
Investigação também mira dinheiro e comunicação
A relação pessoal com os dois criminosos é apenas uma parte da investigação. A Polícia Civil também sustenta que Rhavenna e os pais dela, Orminda Carlos de Barcelos e Nivaldo de Almeida, teriam utilizado a atividade religiosa para manter contato com integrantes do CV, transmitir recados e movimentar recursos atribuídos à organização criminosa.
A operação também apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, contas de familiares e terceiros teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento de valores, além de haver registros de viagens, aquisição de veículos e outros gastos que passaram a ser analisados pela polícia.
Rhavenna foi presa preventivamente durante a Operação Fariseus, enquanto os pais foram alvos de mandados de busca e apreensão. A investigação segue individualizando a participação de cada um dos envolvidos.




















