Conhecido em Cuiabá como “cabeleireiro das estrelas”, Elielson Gonçalves, alvo da Operação Fio, costumava compartilhar nas redes sociais registros de uma rotina cercada de luxo. Em uma das publicações, o profissional aparece dentro de uma Ferrari e afirma que estava “subindo para Chapada”, em referência a Chapada dos Guimarães.
A publicação chama atenção após Elielson ser preso nesta quinta-feira (8) durante a operação deflagrada pela Polícia Civil para combater um grupo investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Além da atuação como cabeleireiro, Elielson mantinha nas redes sociais uma imagem associada a viagens, veículos de luxo e atendimento a pessoas da alta sociedade de Cuiabá. As publicações exibiam momentos de lazer e um padrão de vida que agora passa a ser observado no contexto da investigação financeira conduzida pela Polícia Civil.
Segundo as investigações, foram identificadas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por alguns dos investigados, além de indícios de utilização de pessoas e empresas para movimentar ou ocultar recursos de possível origem ilícita.
A Justiça autorizou 12 medidas de bloqueio patrimonial durante a Operação Fio. Os valores variam de acordo com cada investigado, com bloqueios individualizados que chegam a aproximadamente R$ 1,4 milhão.
Terceira prisão
Elielson foi localizado pelos policiais em sua residência e esta é, segundo as informações da investigação, a terceira vez que ele é preso em casos relacionados a suspeitas de envolvimento com organizações ligadas ao tráfico de drogas.
Conforme a investigação, ele seria responsável por receber entorpecentes enviados por Herbert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos, e fazer a revenda das substâncias.
Herbert também foi preso durante a operação, em Santos (SP). O homem já havia sido alvo de uma tentativa de homicídio em agosto deste ano, quando foi atacado a tiros dentro de um hotel em Várzea Grande. Ele sobreviveu ao ataque.
A Operação Fio cumpriu 26 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e medidas de bloqueio de bens. As ações ocorreram em Mato Grosso e no litoral de São Paulo.
A ostentação exibida por Elielson nas redes sociais, incluindo registros em veículos de alto padrão, agora faz parte do contexto que chama atenção diante da investigação sobre a possível movimentação de dinheiro e patrimônio dos alvos. A Polícia Civil, porém, ainda precisa comprovar a origem dos bens e eventual relação deles com os crimes investigados.



















