O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, afirmou em depoimento ao Tribunal do Júri, nesta sexta-feira (31), que uma crise de ciúmes iniciada na véspera do Natal de 2022 marcou o início do rompimento definitivo com Thays Machado e antecedeu os acontecimentos que culminaram nas mortes da ex-companheira e de William César Moreno.
Ao responder às perguntas da defesa e da acusação, Carlinhos apresentou aos jurados sua versão sobre o relacionamento com Thays. Segundo ele, o namoro era sério e os dois planejavam oficializar a união.
“Nós planejávamos nos casar. Já fazia mais ou menos um ano que conversávamos sobre isso. Inclusive, tínhamos uma viagem marcada para janeiro”, afirmou.
O réu disse ainda que Thays manifestava o desejo de construir uma família ao seu lado. Como exemplo, contou que ela chegou a dizer que pretendia acrescentar o sobrenome dele ao nome da filha, o que, segundo ele, demonstrava os planos que o casal tinha para o futuro.
Carlinhos relatou que a primeira grande crise ocorreu no almoço de Natal de 2022, em um restaurante próximo à casa da mãe de Thays.
Segundo seu depoimento, durante a refeição um homem entrou no estabelecimento e foi identificado por Thays como um conhecido que tinha o mesmo nome dele. A ex-companheira levantou para cumprimentá-lo e permaneceu conversando por alguns minutos, situação que despertou seu ciúme.
“Ela foi falar com ele e demorou. Aquilo me incomodou. Eu fui embora e disse que nosso relacionamento tinha acabado”, declarou.
O empresário afirmou que passou a noite de Natal sozinho e bloqueou Thays nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.
No dia seguinte, porém, segundo ele, os dois conversaram e decidiram reatar o relacionamento.
Carlinhos contou que uma nova discussão ocorreu poucos dias depois, quando o casal planejava passar o Réveillon junto.
De acordo com seu relato, ele pediu que Thays “não repetisse o que havia acontecido no Natal”. A resposta, segundo o empresário, foi definitiva.
“Ela disse que não queria mais o relacionamento e me bloqueou novamente”, afirmou.
Mesmo após o término, Carlinhos admitiu aos jurados que continuou acompanhando a localização da ex-companheira por meio de um aplicativo ao qual ainda tinha acesso.
Segundo ele, dias depois verificou que Thays estava na rodoviária de Cuiabá. O empresário contou que foi até o local e a viu sair acompanhada de um homem, identificado posteriormente como William César Moreno.
Ainda conforme seu depoimento, ele seguiu o veículo conduzido por Thays, mas perdeu os dois de vista quando eles entraram nas dependências da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Ao relatar a manhã do crime, Carlinhos afirmou que acordou profundamente abalado com o fim do relacionamento e realizou o que chamou de seu “ritual de praxe”.
Declarando-se espírita, disse que acendeu incensos, fez orações e leu um mantra na tentativa de encontrar respostas para o rompimento.
“Eu queria entender por que ela não queria mais voltar para mim”, afirmou.
Segundo o empresário, durante o ritual chegou a se queimar levemente com um dos incensos, episódio que interpretou como reflexo da angústia que estava vivendo.
Após as orações, ele disse que consultou novamente a localização em tempo real de Thays e verificou que ela estava na casa da mãe, no bairro Consil.
Foi então, segundo sua versão apresentada aos jurados, que decidiu ir até o endereço, onde ocorreu o encontro que terminou com a morte de Thays Machado e William César Moreno.
A versão apresentada por Carlinhos Bezerra integra seu interrogatório no Tribunal do Júri e é contestada pelo Ministério Público. A acusação sustenta que o empresário perseguiu a ex-companheira durante meses, monitorou sua rotina e executou o casal de forma premeditada em 18 de janeiro de 2023.




















