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RELACIONAMENTO TÓXICO

Ligações incessantes, vigilância e até tentativa de atropelamento: delegado expõe perseguição de Carlinhos Bezerra

Em depoimento aos jurados, delegado responsável pela investigação afirmou que o empresário monitorava a rotina de Thays Machado, fazia dezenas de ligações por dia e chegou a persegui-la até no ambiente de trabalho; réu negou todas as acusações.

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Durante o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, nesta sexta-feira (31), o delegado Marcel Gomes de Oliveira, responsável pelas investigações do caso à época dos fatos, descreveu aos jurados um histórico de perseguições, vigilância e controle exercidos pelo acusado contra a ex-companheira, Thays Machado, nos meses que antecederam o feminicídio.

Segundo o delegado, as provas reunidas ao longo da investigação demonstram que, mesmo após o término do relacionamento, Carlinhos não aceitava a separação e passou a adotar uma série de comportamentos considerados obsessivos, restringindo a liberdade da vítima e monitorando sua rotina.

Perseguição começou após o fim do relacionamento

De acordo com Marcel Oliveira, Thays decidiu encerrar o relacionamento por considerá-lo abusivo e precisava “se livrar” daquela situação. O delegado afirmou que, quando finalmente conseguiu romper a relação, teve pouco tempo para reconstruir a vida antes de ser assassinada.

“Ela precisava se livrar desse relacionamento. Quando consegue romper, pouco tempo depois é executada”, resumiu o investigador durante o depoimento.

 

Ligações insistentes e dezenas de números diferentes

O delegado afirmou que a investigação identificou, por meio de provas telemáticas obtidas diretamente com operadoras de telefonia, uma intensa perseguição por telefone.

Segundo ele, após ser bloqueado por Thays, Carlinhos passou a cadastrar diversos números de celular para continuar tentando contato com a vítima.

As quebras de sigilo revelaram dezenas de tentativas de ligação em curtos intervalos de tempo. Em alguns dias, conforme Marcel, o acusado chegou a telefonar mais de 40 vezes para Thays.

Mesmo sem obter resposta, ele continuava utilizando novos números na tentativa de fazer com que ela atendesse alguma das chamadas.

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Perseguia Thays até no ambiente de trabalho

As investigações também apontaram que a perseguição ultrapassava o ambiente pessoal.

Conforme o delegado, Carlinhos comparecia ao Fórum de Várzea Grande, onde Thays trabalhava, para monitorar a rotina da ex-companheira.

Em um dos episódios relatados em plenário, ele teria ido ao local para tirar satisfações com um servidor apenas porque o colega respondeu a uma mensagem de aniversário enviada por Thays.

Segundo Marcel Oliveira, a situação causou constrangimento dentro do fórum. Diante da postura do acusado, o servidor Rogério acionou a equipe de segurança da unidade e registrou um boletim de ocorrência.

Ainda conforme o delegado, o clima de tensão foi tão grande que Thays acabou sendo transferida de setor dentro do fórum para evitar novos episódios envolvendo o ex-companheiro.

 

Carlinhos nega perseguições e episódio no trabalho de Thays

Ao ser interrogado, Carlinhos Bezerra negou a versão apresentada pela investigação.

Sobre a suposta tentativa de atropelamento narrada por uma testemunha, afirmou que “isso nunca aconteceu”.

Em relação ao episódio no Fórum de Várzea Grande, disse que não foi ao local para intimidar ou perseguir qualquer servidor. Segundo o réu, ele apenas esteve no fórum para cumprimentar o funcionário pelo aniversário e negou que tenha havido qualquer discussão ou ameaça.

“Eu volto a dizer que isso é mentira. Nunca houve nada disso. Não existiu absolutamente nada nesse sentido”, declarou aos jurados.

Em outro momento do interrogatório, reforçou: “Fui apenas dar os parabéns para ele. Não teve confusão, não teve ameaça, não aconteceu isso.”

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Carlinhos contestou integralmente a versão apresentada pelo delegado e afirmou que os fatos narrados pela investigação não ocorreram da forma descrita.

 

Tentativa de atropelamento na saída de uma boate

Outro fato destacado pelo delegado foi um episódio narrado por uma amiga da vítima durante as investigações.

Segundo o depoimento, após o término do relacionamento, Thays saiu com amigos para uma boate em Cuiabá. Carlinhos teria monitorado sua movimentação, permanecido nas proximidades do estabelecimento e esperado a saída da vítima.

Quando Thays deixou o local, ele teria acelerado o veículo em sua direção, em uma aparente tentativa de atropelá-la enquanto ela caminhava pela calçada.

O episódio foi apresentado pelo delegado como mais um indicativo do comportamento de vigilância constante e perseguição contra a ex-companheira.

 

Investigação apontou comportamento de posse

Ao encerrar o relato, Marcel Oliveira afirmou que todos os episódios revelam um padrão contínuo de violência psicológica e controle.

Segundo ele, as provas produzidas durante a investigação demonstram que Carlinhos tratava Thays como alguém sobre quem acreditava ter domínio, sem aceitar o fim do relacionamento.

Para o delegado, o conjunto de depoimentos, registros telefônicos e demais elementos colhidos no inquérito evidencia que a perseguição evoluiu ao longo dos meses até culminar no feminicídio de Thays Machado e no homicídio de William César Moreno, em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

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