A Justiça rejeitou o pedido da defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, para afastar a juíza Mônica Perri do caso. Com isso, o Tribunal do Júri foi confirmado para a próxima sexta-feira, 31 de julho, às 9h, na 1ª Vara Criminal.
Carlinhos Bezerra responde pelo feminicídio da ex-namorada, Thays Machado, servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e pelo homicídio do namorado dela, William Moreno. O crime aconteceu em janeiro de 2023, em plena luz do dia, no bairro Consil, próximo à Avenida do CPA, em Cuiabá.
A sessão que ocorreria no dia 21 de julho precisou ser adiada porque os advogados de defesa deixaram o plenário antes do início. Eles alegaram que não tiveram tempo suficiente para analisar um conjunto de arquivos digitais liberados na semana anterior do Tribunal do Júri. Segundo a defesa, são cerca de 109 GB de dados, o equivalente a mais de 2 mil páginas, e o prazo de 7 dias dado pela Justiça era curto.
Em seguida, os advogados entraram com um pedido de exceção de suspeição, ou seja, pediram o afastamento da juíza Mônica Perri pois consideram que a magistrada não foi imparcial. O principal argumento foi uma frase usada pela juíza em decisão anterior, de que existiriam “outras provas aptas a sustentar a condenação”. Para a defesa, isso seria uma antecipação do julgamento, que só pode ser feito pelos jurados. Também questionaram o prazo para acesso às provas e a decisão da juíza de comunicar a OAB sobre a saída deles do plenário.
Na resposta, a própria juíza negou todos os pontos. Ela explicou que a frase citada veio de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça e foi usada apenas para tratar de uma questão técnica do processo, sobre a validade das provas. Afirmou que não houve julgamento antecipado.
Sobre os arquivos, afirmou que os relatórios já estavam no processo desde o início e que agora foi liberada a cópia completa, com prazo de 14 dias para análise, o que considerou razoável.
A magistrada também disse que não impediu o acesso a outros processos, que tramitam em varas diferentes, e que cabe à defesa pedir diretamente nesses locais. Sobre a saída dos advogados, entendeu que não houve motivo legal, já que pedidos de adiamento já tinham sido negados pelo Tribunal de Justiça em outros recursos.
Com isso, rejeitou a exceção de suspeição e determinou o envio do pedido à 2ª instância para análise, e manteve a nova data do júri para 31 de julho.
A Defensoria Pública havia pedido para não atuar no caso porque tem outro júri no dia anterior. A juíza negou o pedido. A Defensoria continua nomeada, mas só vai atuar se os advogados atuais não comparecerem ou abandonarem novamente o plenário no dia do julgamento.
O caso
Carlos Alberto Gomes Bezerra é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, do MDB. De acordo com a denúncia do Ministério Público, em janeiro de 2023 ele entrou no apartamento onde morava Thays Machado. No local estavam Thays e o namorado, William Moreno.
O MP afirma que o réu atirou contra os dois. Thays morreu no local e William morreu depois de ser socorrido. O caso teve grande repercussão em Cuiabá e desde então o processo já teve vários adiamentos e a Justiça definiu o dia 31 de julho para a realização do júri popular.





















