Stephanie Leal Vareiro, de 21 anos, se manifestou após a condenação do ex-namorado a 11 anos e três meses de prisão pelos crimes cometidos contra ela. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a jovem afirmou que esperou pela responsabilização do ex e que nunca teve como objetivo se vingar.
“Demorou muito, mas teve justiça. Eu nunca quis vingança, eu sempre quis só justiça”, declarou.
Ao comentar a decisão, Stephanie também revelou que recentemente conversou com outra mulher que teria mantido um relacionamento com o mesmo homem anos antes. Segundo ela, a jovem tinha 18 anos quando começou a se envolver com ele e posteriormente também teria procurado a polícia e solicitado uma medida protetiva.
Stephanie afirmou que ficou surpresa ao perceber semelhanças entre os relatos. De acordo com ela, a outra mulher contou ter sofrido agressões e apresentado ferimentos, como corte na boca e hematomas.
Para Stephanie, os relatos mostram um possível padrão de comportamento nos relacionamentos. Ela afirmou que as mulheres envolvidas eram jovens e que o ex utilizava, segundo sua versão, discursos semelhantes durante os relacionamentos.
“Eu não fui a única. E essa garota também não. Foram várias que passaram coisas igual ao que eu passei, se não pior”, afirmou.
A jovem também relatou que, durante muito tempo, acreditou que poderia ter alguma responsabilidade pela violência sofrida. Segundo ela, o fato de o ex ser bem visto por outras pessoas fez com que questionasse a própria percepção sobre o relacionamento.
“Eu ficava assim na minha cabeça: ‘Não, o problema sou eu’. Hoje eu entendo que não, que o problema nunca foi sobre mim. Nunca foi sobre mim. Sempre foi sobre ele, sobre as atitudes dele e sobre o que ele faz”, disse.
Outro ponto mencionado por Stephanie foi a suposta utilização da influência de familiares e pessoas próximas pelo ex. Conforme o relato, ele costumava citar parentes e posições ocupadas por pessoas da família para transmitir a ideia de que não sofreria consequências.
Ela recordou ainda que ele teria dito que, caso fosse preso, permaneceria apenas 90 dias atrás das grades. Ao comentar a situação atual, ironizou a previsão atribuída ao ex.
“Esses 90 dias saíram bem caros. Esses 90 dias já estão indo aí para mais de sete meses”, declarou.
Stephanie também criticou amigos que, segundo ela, teriam apoiado ou minimizado o comportamento do ex ao longo dos anos. Para a jovem, esse tipo de postura contribui para que comportamentos abusivos continuem acontecendo.
Durante o desabafo, ela voltou a mencionar a outra mulher e lamentou que a denúncia feita anos antes, segundo o relato recebido por ela, não tenha resultado na responsabilização do homem naquele momento. Stephanie também recordou que, antes do episódio que ganhou repercussão, já havia procurado uma delegacia e apresentado fotografias, vídeos, mensagens e registros de hematomas.
Na avaliação dela, a repercussão pública do caso teve papel importante para que a situação avançasse. Stephanie afirmou que precisou expor parte da própria vida para conseguir ser ouvida.
Ao final do vídeo, a jovem direcionou uma mensagem principalmente às mulheres mais novas que acompanham suas redes sociais. Ela aconselhou que priorizem os estudos e busquem independência para não depender financeiramente de outras pessoas.
“Estudem, estudem e estudem”, afirmou. “Aproveitem a juventude de vocês, seus 18, 19, 20 anos para estudar.”
Stephanie contou que está chegando ao último semestre da faculdade e que já iniciou uma segunda formação. Segundo ela, atualmente dedica grande parte do tempo aos estudos para construir uma vida independente.
Para a jovem, a condenação também representa uma resposta para outras mulheres que afirmam ter passado por situações semelhantes e para aquelas que não conseguiram tornar seus relatos públicos.
“Demora, demora, mas a justiça sempre vem, sempre vem de uma forma ou de outra. E eu digo que não foi nem só por mim. Foi sobre várias outras meninas que passaram pelo que eu passei”, afirmou.
Stephanie encerrou o relato dizendo que não quer mais se definir pela violência que sofreu. “Eu fui uma vítima de violência, hoje eu já não sou mais”, concluiu.



















