Imagens de câmeras de segurança instaladas dentro de uma residência registraram momentos que antecederam e sucederam o assassinato de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, morta com 16 golpes de faca pelo marido, Daniel Bennemann Frasson, em Lucas do Rio Verde. Depois de matar a esposa, ele também atacou a própria filha, de 7 anos, que foi atingida por oito facadas e sobreviveu.
O crime ocorreu em 24 de junho de 2025, mas as gravações foram divulgadas agora pelo advogado Rodrigo Pouso, que atua como assistente de acusação no caso.
Os registros mostram Daniel circulando pela residência antes dos ataques. Em determinado momento, ele aparece mexendo em uma das câmeras instaladas no imóvel.
As imagens também registram conversas ocorridas antes do crime. Conforme informações que posteriormente passaram a integrar o processo, Daniel apresentava alterações de comportamento e teria relatado questões financeiras e dito que ouvia vozes.
A irmã dele afirmou que Daniel dizia que o “diabo” falava com ele e que morreria. A situação teria causado preocupação entre familiares antes mesmo do crime.
Segundo informações apresentadas no caso, a preocupação chegou ao ponto de a esposa ser alertada por mensagem para esconder as facas existentes dentro da residência.
Ataques registrados pelas câmeras
Em outro momento das gravações, Daniel aparece com uma faca e segue para a região da casa onde estava a esposa.
Gleici foi atacada dentro da residência. Posteriormente, a perícia constatou 16 ferimentos provocados por faca no corpo da vítima, além de lesões compatíveis com tentativa de defesa.
Após o feminicídio, as câmeras voltam a registrar Daniel circulando pela residência. Ele aparece usando apenas camiseta e roupa íntima, com marcas de sangue, e em determinado momento coloca as mãos sobre a cabeça.
A sequência, porém, não termina com a morte de Gleici.
Daniel retorna para dentro da residência e ataca a própria filha, que tinha 7 anos na época. A menina sofreu oito golpes de faca, quatro no peito e quatro nas costas.
A criança foi socorrida em estado grave e posteriormente transferida para Cuiabá. Ela permaneceu 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e conseguiu sobreviver.
Daniel também provocou ferimentos contra si após os ataques. Ele recebeu atendimento médico e posteriormente teve a prisão preventiva decretada.
Insanidade mental
No decorrer do processo, Daniel foi submetido a uma avaliação de insanidade mental. Laudo pericial concluiu que ele era inimputável no momento dos crimes.
A conclusão pericial passou a ser um dos principais pontos de discussão do caso, especialmente em relação à forma como Daniel deverá responder pelos atos praticados.
Atualmente, ele está internado em uma clínica particular. Segundo Rodrigo Pouso, o tratamento é custeado pelo Estado e as despesas já teriam ultrapassado R$ 200 mil.
Ao divulgar as imagens do crime, o advogado também criticou a situação e questionou publicamente se Daniel deveria permanecer internado ou cumprir pena em uma unidade prisional.
“Merece cadeia ou spa?”, escreveu Pouso ao divulgar o caso.
A definição sobre a responsabilização de Daniel e as consequências jurídicas do laudo de insanidade mental caberá à Justiça.






















