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DIA DO LAMBADÃO

Do legado de Chico Gil aos bailes lotados: quem vive do Lambadão mantém ritmo vivo em MT

No Dia do Lambadão, empresários, músicos e dançarinos contam como o ritmo que ganhou força na Baixada Cuiabana se transformou em trabalho, renda, identidade e paixão

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Para alguns, é o som que anuncia o fim de semana. Para outros, é a música que embala encontros, festas e bailes. Mas, para uma parcela de mato-grossenses, o Lambadão é muito mais: é profissão, fonte de renda e uma forma de viver a cultura do Estado.

Neste 10 de setembro, Dia do Lambadão de Cuiabá, histórias de quem está nos bastidores, nos palcos e nas pistas mostram como o ritmo continua vivo décadas depois de começar a conquistar a Baixada Cuiabana.

Empresários, vocalistas, músicos e dançarinos construíram suas trajetórias dentro desse universo e hoje ajudam a manter uma cadeia que movimenta casas de shows, bandas, eventos e um público fiel.

De Poconé para a Baixada Cuiabana

A história do Lambadão está ligada à cultura popular da Baixada Cuiabana. O ritmo surgiu a partir de diferentes influências musicais e ganhou força especialmente a partir dos anos 1980 e 1990, em um circuito formado por festas, bares, comunidades e eventos religiosos. A lambada trazida por migrantes do Pará encontrou o rasqueado mato-grossense e outras referências, dando origem a uma sonoridade acelerada e característica.

Foi nesse processo de expansão que Chico Gil se tornou um dos nomes mais importantes da história do gênero.

Nascido em Poconé, Francisco da Guia Souza, o Chico Gil, passou a ser conhecido como o “Rei do Lambadão” e é considerado um dos precursores do ritmo em Mato Grosso. Sua trajetória ajudou a levar o Lambadão para além dos pequenos espaços onde as primeiras apresentações aconteciam e a aproximá-lo cada vez mais do público de Cuiabá e da Baixada Cuiabana.

Chico Gil começou sua trajetória musical ainda nos anos 1980 e, posteriormente, passou a se dedicar ao Lambadão. Em 1997, lançou um álbum voltado ao gênero e, em 2000, ano de sua morte, lançou Amor do Lambadão. Ele morreu em um acidente de trânsito em julho daquele ano, aos 42 anos.

Mais de duas décadas depois, seu nome continua diretamente ligado à história do ritmo.

E não por acaso o dia escolhido para celebrar o Lambadão em Cuiabá é justamente 10 de setembro, aniversário de Chico Gil. A Lei nº 3.318/2018 reconheceu o Lambadão cuiabano como patrimônio cultural imaterial do município e incluiu a data no calendário oficial.

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O Lambadão que virou negócio

Se Chico Gil ajudou a popularizar o ritmo, hoje uma nova geração mantém essa história em movimento.

Um dos exemplos é o empresário Leandro Romanini, que há cerca de 15 anos vive profissionalmente dentro do universo do Lambadão.

Leandro é responsável pelas bandas Amigos Banda Show e Mega Som, além da Pyramid Distribuidora, casa de festas localizada no bairro Doutor Fábio, em Cuiabá.

Para ele, a relação com o Lambadão ultrapassou há muito tempo a paixão pela música.

“Hoje tudo que eu faço é em prol do Lambadão”, afirma.

Ao longo dos anos, o empresário transformou o gosto pelo ritmo em atividade profissional e passou a investir em bandas e espaços voltados ao gênero.

Para Leandro, o Lambadão representa também a possibilidade de levar entretenimento e cultura para o público.

“Tenho muito orgulho de fazer o que faço: levar alegria e levar cultura”, resume.

Vinte anos de carreira ao som do Lambadão

Screenshot

A relação de Jedson Augusto, o Buzu, vocalista da banda Mega Som, começou ainda na infância.

Ele conta que entrou no universo do Lambadão por volta dos nove ou dez anos. Vindo de uma família de músicos, acabou seguindo o mesmo caminho e transformou a paixão em carreira.

Hoje, são cerca de 20 anos de trajetória profissional.

Para Buzu, ser lambadeiro é motivo de orgulho. E, mesmo depois de duas décadas, ele acredita que o ritmo ainda tem espaço para conquistar novos territórios.

“Eu amo o Lambadão”, afirma.

O cantor aposta que o gênero pode ultrapassar as fronteiras de Mato Grosso e alcançar um público ainda maior no Brasil.

Na pista, a dança também virou profissão

Mas não são apenas os músicos e empresários que vivem do Lambadão.

Sávio Jaqueline, dançarino que acompanha o movimento há mais de dez anos, encontrou na dança uma forma de trabalho e de expressão.

Ele acompanhou o crescimento do gênero e diz ter visto o Lambadão resistir, se reinventar e continuar atraindo diferentes gerações.

Para Sávio, não se trata apenas de música.

“O Lambadão é o meu estilo de vida”, define.

A dança também abriu portas profissionais. Hoje, ele consegue obter renda trabalhando com aquilo que ama e, ao mesmo tempo, contribuir para manter viva uma tradição cultural mato-grossense.

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Um ritmo que atravessa gerações

As histórias de Leandro, Buzu e Sávio são diferentes, mas representam uma mesma realidade: existe uma economia e uma comunidade construídas em torno do Lambadão.

São músicos, dançarinos, empresários, produtores, técnicos, vendedores e trabalhadores de casas de shows que encontram no ritmo uma forma de sustento.

E existe, ainda, o público.

Aquele que compra o ingresso, acompanha a banda preferida, aprende os passos, compartilha os vídeos e volta para o próximo baile.

É essa relação entre artistas e público que mantém o Lambadão pulsando principalmente na Baixada Cuiabana, onde o ritmo se consolidou como uma das manifestações culturais mais características da região.

O gênero também criou seus próprios caminhos de divulgação ao longo da história. Antes das redes sociais, a música circulava pelo boca a boca, pelos shows, rádios comunitárias e pela venda de CDs e DVDs em camelôs e feiras. Esse circuito ajudou a espalhar as bandas e aproximar o Lambadão das periferias e comunidades.

Hoje, os vídeos nas redes sociais ajudam a levar os passos e as músicas para novos públicos, mas a essência permanece a mesma: a pista cheia, o som alto e a vontade de dançar.

O legado de Chico Gil continua

Chico Gil morreu em 2000, mas seu nome permanece associado à consolidação do Lambadão em Mato Grosso. Em 2022, ele recebeu, inclusive, o título de Mestre da Cultura de Mato Grosso, em reconhecimento à sua contribuição cultural.

O legado, porém, não está apenas nos discos ou nas lembranças.

Ele aparece cada vez que uma banda sobe ao palco, quando um dançarino entra na pista, quando um empresário abre as portas de uma casa de shows e quando milhares de pessoas se reúnem para dançar.

É por isso que, neste 10 de setembro, falar sobre o Dia do Lambadão é também falar sobre quem fez do ritmo profissão, quem encontrou nele uma identidade e quem continua mantendo essa história viva.

Da geração de Chico Gil aos artistas que hoje comandam os bailes, o Lambadão segue fazendo aquilo que sempre fez de melhor: juntar gente, gerar trabalho e colocar a Baixada Cuiabana para dançar.

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