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ELEIÇÕES 2026

Toffoli suspende campanha de Renan Santos e bloqueia fundo eleitoral por irregularidades em redes sociais

Candidato do Missão fica impedido de fazer propaganda por perfis não informados ao TSE e de participar de debates; partido classifica decisão como “nula”
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

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O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão cautelar da propaganda eleitoral da chapa do Missão, encabeçada pelo candidato à Presidência da República Renan Santos, em sites, blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens que não tenham sido informados previamente à Justiça Eleitoral. A decisão, divulgada nesta segunda-feira (31), também suspende os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e impede a participação da chapa em debates realizados em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.

A medida também alcança o candidato a vice-presidente, Aroldo Medina, e foi tomada no âmbito do processo que analisa o registro da chapa. Toffoli já havia retirado o pedido de registro de Renan da pauta de julgamento durante o fim de semana, após apontar a existência de possíveis “indícios de ilicitudes” relacionados às informações prestadas sobre os canais digitais utilizados na campanha.

O registro da candidatura foi apresentado ao TSE em 7 de agosto. Segundo o processo, Renan e Aroldo acrescentaram posteriormente à documentação eleitoral uma relação de perfis utilizados na campanha. A complementação foi apresentada em 19 de agosto, 12 dias depois do pedido inicial de registro. As informações posteriores incluíram 18 perfis, segundo os documentos analisados pelo ministro.

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Na avaliação de Toffoli, a ausência dessas informações no momento adequado poderia permitir que os perfis fossem utilizados para divulgação de propaganda e recebessem recomendações das próprias plataformas, criando uma vantagem que não estaria submetida ao mesmo nível de fiscalização dos demais candidatos.

O ministro afirmou que a comunicação dos canais oficiais à Justiça Eleitoral é necessária para garantir transparência e permitir a fiscalização da propaganda por parte da própria Justiça, do Ministério Público, dos adversários e da sociedade. (O Tempo)

Além da suspensão da propaganda nos canais considerados irregulares, Toffoli determinou que as plataformas adotem providências para interromper a divulgação dos conteúdos relacionados à campanha nesses perfis. A decisão também estabeleceu prazos para que empresas forneçam informações sobre publicações realizadas nas páginas.

Renan contesta irregularidades

Renan Santos reagiu à decisão e negou que tenha cometido qualquer irregularidade. O candidato afirmou que os perfis foram informados à Justiça Eleitoral e atribuiu o problema a dificuldades no sistema do próprio TSE, argumentando que situações semelhantes teriam atingido outras candidaturas.

Segundo Renan, a questão já teria sido solucionada e não haveria qualquer benefício indevido obtido pela campanha. O candidato também afirmou que sua campanha é financiada por doações privadas e vaquinhas, sem utilização de recursos do fundo eleitoral, e declarou que pretende continuar na disputa.

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Em manifestação divulgada após a decisão anterior de Toffoli, Renan afirmou ainda que não pretende “abaixar a cabeça” diante do episódio.

Missão chama decisão de “nula”

O partido Missão também contestou a atuação do ministro e pediu a reconsideração da decisão. Em manifestação apresentada ao TSE, a legenda classificou como “nula” a determinação de Toffoli que retirou o julgamento do registro da candidatura da pauta.

A defesa sustenta que o processo de registro de candidatura não seria o instrumento adequado para analisar eventuais irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral e aos perfis de redes sociais. Para o partido, eventual questionamento sobre propaganda deveria ser tratado em procedimento próprio.

A legenda também argumentou que a inclusão posterior dos perfis não configuraria, por si só, uma irregularidade capaz de comprometer o registro da candidatura.

Apesar das restrições impostas por Toffoli, o registro da candidatura de Renan ainda será analisado pelo plenário do TSE. A Procuradoria-Geral Eleitoral já havia se manifestado favoravelmente ao registro, considerando que o candidato reúne as condições necessárias para disputar a Presidência e não está inelegível.

A decisão desta segunda-feira, portanto, estabelece medidas cautelares contra a campanha enquanto a Justiça Eleitoral analisa definitivamente a situação da chapa.

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