A defasagem no efetivo da Polícia Militar em cidades do interior de Mato Grosso, como Juína, evidencia um desafio estrutural da segurança pública no estado. Com cerca de 40 mil habitantes, o município enfrenta uma discrepância significativa entre o número de policiais previsto em normas estaduais e o contingente atualmente disponível, situação que motivou, inclusive, uma ação do Ministério Público cobrando providências do poder público.
Questionado sobre o problema em entrevista na Rádio Capital, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reconheceu a fragilidade no atendimento, mas apontou que a principal dificuldade está na permanência dos policiais nas regiões mais distantes dos grandes centros. Segundo ele, a rotatividade dos profissionais compromete diretamente a estabilidade do efetivo.
“Se tem baixo efetivo lá, é porque os policiais saíram. Quando você manda um policial recém-formado para cidades do interior, ele fica lá querendo voltar. E, no primeiro momento que consegue, retorna para Cuiabá. É isso que acaba deixando essas regiões desassistidas”, afirmou.
Diante desse cenário, o governador defendeu uma mudança de estratégia, com maior protagonismo das guardas municipais no reforço à segurança pública. Ele destacou que o modelo pode ser uma alternativa mais eficiente para garantir presença constante nas comunidades.
“Já tratei com o Paulinho, prefeito de Juína, a criação da guarda municipal. Esse é um caminho importante, porque são profissionais da própria cidade, que conhecem a população e não vão pedir transferência. Onde esse modelo foi implantado, tem dado resultado”, disse.
Pivetta também fez críticas aos critérios teóricos que estabelecem a proporção ideal entre número de policiais e habitantes, classificando-os como distantes da realidade orçamentária dos estados. Em estudos divulgados, p município de Juína deveria ter 29 policiais militares para atender uma população de aproximadamente 40 mil habitantes. Todavia, existe um decreto estadual que prevê que municípios com essa quantidade de habitantes deveria ter do mínimo 139 policiais militares.
“Esses números são para inglês ver. Se o Estado for cumprir isso à risca, não sobra recurso para mais nada. A máquina pública não pode ser só folha de pagamento”, argumentou.
Apesar das limitações, o governador garantiu que novas contratações devem ocorrer, mas ressaltou que o foco será na gestão e redistribuição do efetivo já existente. Ele chamou atenção, ainda, para a concentração de cargos de comando na capital, em detrimento do interior.
“Nós temos 33 coronéis no estado, 33 coronéis, nós temos 15 regionais da polícia militar, nós só temos cinco coronéis comandando as regionais, os outros estão aonde? Estão tudo aqui em Cuiabá, tá certo isso? Não tá certo, falta policial na ponta, onde a população mais precisa”, declarou.
Ao concluir, Pivetta defendeu a adoção de medidas estruturais e de longo prazo para enfrentar o problema.
“Não adianta repetir o que já não funciona. É preciso evoluir, corrigir falhas e pensar políticas públicas mais eficazes. O Estado precisa estar presente onde o cidadão está”, finalizou.


















