O candidato ao Senado José Medeiros (PL) descartou, durante entrevista, uma aproximação eleitoral com Janaína Riva (MDB) na reta final da campanha. Os dois integram a mesma composição para a disputa das duas vagas de Mato Grosso no Senado, mas conduzem campanhas independentes e acumulam divergências desde a formação da aliança.
Questionado sobre a possibilidade de uma conciliação com Janaína nos últimos dias antes da eleição, Medeiros não sinalizou uma campanha conjunta. Em vez disso, pediu que os eleitores avaliem os vínculos políticos dos candidatos.
“Peço encarecidamente aos eleitores que não votem em candidatos ligados ao Congresso, ligados ao Lula, ligados a ministro do STF”, afirmou.
Na sequência, o candidato apresentou sua própria candidatura como uma opção para eleitores alinhados ao bolsonarismo.
“Peço muito o seu voto. Mato Grosso precisa de alguém que chegue lá de voadeira defendendo os interesses do nosso Estado”, declarou.
Racha dentro da mesma chapa
A declaração ocorre dois dias depois de Janaína afirmar publicamente que seu compromisso eleitoral é com Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo, mas não com Medeiros.
“Meu compromisso não é com o Medeiros; meu compromisso é com o Flávio Bolsonaro e com o governador Wellington”, afirmou Janaína na quarta-feira (16).
A situação cria uma configuração incomum na disputa: MDB e PL estão formalmente aliados na chapa majoritária, com Wellington ao Governo e Janaína e Medeiros concorrendo às duas cadeiras do Senado, mas os dois candidatos ao Senado não apresentam uma campanha conjunta pelo chamado segundo voto.
O distanciamento já havia ficado evidente desde agosto. Após a formalização da aliança, Janaína declarou que faria sua campanha separadamente de Medeiros. Em eventos públicos, os dois chegaram a dividir o mesmo palanque, mas sem uma atuação conjunta evidente.
Disputa pelo eleitor bolsonarista
Medeiros também vinculou seu pedido de voto diretamente ao eleitor que se identifica com Jair Bolsonaro e com Flávio Bolsonaro.
Durante a entrevista, afirmou que aqueles que admiram o ex-presidente e defendem a anistia devem votar nele. A estratégia mantém o candidato em uma linha de campanha centrada na oposição ao governo Lula e em críticas ao STF.
O discurso também ocorre após uma série de embates envolvendo a divisão do tempo de propaganda entre Medeiros e Janaína. A decisão de Moraes que estabeleceu 50% do horário eleitoral para cada candidato foi tomada depois que Janaína recorreu ao STF contra uma decisão anterior da Justiça Eleitoral de Mato Grosso.
Medeiros passou a apresentar o episódio como parte de sua crítica ao Supremo, enquanto Janaína sustenta que a igualdade no tempo de propaganda assegura tratamento proporcional às candidaturas masculina e feminina, conforme a fundamentação adotada na decisão de Moraes.
A disputa entre os dois, portanto, deixou de ser apenas uma divergência dentro da aliança partidária e passou a ocupar espaço direto na estratégia eleitoral de ambos na reta final da campanha.


















