O governador Mauro Mendes (União) afirmou que a dificuldade para contratar empresas responsáveis pela construção dos terminais do BRT está diretamente ligada ao atual cenário econômico do estado, marcado pela escassez de mão de obra e pela alta demanda por obras públicas e privadas.
Segundo ele, houve licitações em que nenhuma empresa demonstrou interesse em assumir os contratos, mesmo se tratando de projetos de grande porte.
De acordo com o governador, o problema não é exclusivo do setor público nem restrito a Mato Grosso.
“Lamentavelmente, hoje nós temos um volume muito grande de obras públicas e privadas e está faltando empresa para executar. Não é um problema só daqui. Eu converso com governadores e lideranças de outros estados e vivemos um fenômeno de baixa disponibilidade de mão de obra para tocar obras”, explicou.
Mendes destacou que a ausência de interessados em uma obra que ultrapassa R$ 100 milhões é um indicativo claro de que o mercado enfrenta dificuldades estruturais.
“Uma obra de mais de R$ 100 milhões não aparecer ninguém é porque algo não está normal. As empresas estão com dificuldade de assumir novos compromissos, principalmente por falta de trabalhadores”, afirmou.
Segundo ele, o impacto dessa realidade é percebido em todos os níveis da economia.
“Qualquer cidadão percebe isso. Desde alguém que precisa de um trabalhador para uma obra residencial até pequenas, médias e grandes empresas. É difícil hoje encontrar uma empresa em Mato Grosso que não tenha vagas abertas para contratar”, disse.
Diante desse cenário, o governador informou que a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Sinfra) está reavaliando o processo licitatório dos terminais do BRT.
“A secretaria está revisitando essa licitação e vai analisar o que precisa ser feito para conseguir contratar e concluir essas unidades”, declarou.
Questionado sobre a existência de uma solução, Mauro adotou um tom direto, mas otimista.
“Claro que existe solução. Não existe problema sem solução. Só a morte. Estamos avaliando tecnicamente se é possível dividir em partes menores para permitir a participação de empresas menores”, detalhou.
No entanto, o governador ponderou que essa alternativa também traz riscos.
“Quando você entra com empresas muito pequenas, o risco da pulverização é grande. Às vezes uma empresa termina a etapa dela e a outra não, o que acaba complicando tudo. Além disso, empresas menores têm dificuldade de contratar seguro, e o governo não pode contratar obra pública sem essa exigência”, ressaltou.
Por fim, ao ser questionado sobre a possibilidade de um processo emergencial, Mendes afirmou que o Estado utilizará todos os meios previstos em lei.
“Nós vamos usar todos os mecanismos legais para contratar. Estamos estudando tecnicamente dentro da secretaria o que precisa ser ajustado para viabilizar essas contratações”, concluiu.

















