O Governo de Mato Grosso contestou as declarações do deputado estadual Lúdio Cabral sobre os custos de implantação do Sistema BRT em Cuiabá e Várzea Grande. O parlamentar afirmou que a obra pode ultrapassar R$ 1 bilhão e acabar custando mais do que o antigo projeto do VLT, além de apontar supostas inconsistências em contratos firmados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
Em resposta, o governo informou que desembolsou até o momento R$ 206 milhões nas obras do BRT e que o valor total contratado para infraestrutura, estações e terminais soma R$ 533 milhões.
O questionamento de Lúdio se concentra principalmente na licitação para construção das estações do sistema. Segundo o deputado, uma primeira disputa previa investimento de R$ 68 milhões para a implantação de 77 estações. Após a desclassificação da empresa vencedora, uma nova contratação foi realizada cerca de 75 dias depois, elevando o valor para R$ 120 milhões.
“Por que em 75 dias o custo das estações saiu de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões?”, questionou o parlamentar, que também protocolou representação junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) pedindo apuração dos contratos.
O secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, afirmou que houve um equívoco na interpretação dos números e explicou que os contratos do BRT são compostos por diferentes etapas.
“Precisamos esclarecer o que eu acredito que não seja má-fé, mas talvez um equívoco sobre os valores gastos pelo Governo nas obras do BRT”, declarou.
De acordo com o secretário, o primeiro contrato firmado para implantação da infraestrutura do sistema tinha valor de R$ 468 milhões, mas foi rescindido após problemas na execução das obras pelo Consórcio Construtor BRT. Desse total, o Estado pagou cerca de R$ 130 milhões, incluindo reajustes inflacionários.
Marcelo explicou ainda que, após a rescisão, a Sinfra optou por dividir os serviços em novos lotes para acelerar a execução das obras. Um dos contratos, avaliado em R$ 155 milhões, contempla a continuidade da infraestrutura nas avenidas do CPA e Prainha, além do trecho entre o Aeroporto de Várzea Grande e o novo terminal do município.
Sobre o aumento no custo das estações, o secretário afirmou que o novo projeto incorporou melhorias que não estavam previstas inicialmente.
“A partir disso, nós incluímos no projeto a mudança do tipo de piso, a inclusão de portas automáticas, vidros com maior capacidade de reflexão de calor e a climatização das estações. Por isso, elas passaram para esse valor de R$ 120 milhões”, justificou.
O governo também informou que foi realizada uma licitação de R$ 128 milhões para a construção dos terminais do sistema, cujas obras ainda não foram iniciadas.
Outro argumento utilizado pelo Executivo para rebater as críticas é o resultado financeiro da venda dos equipamentos do antigo VLT. Segundo a Sinfra, a comercialização dos vagões e materiais elétricos arrecadou R$ 915 milhões aos cofres estaduais.
“Então, foram pagos R$ 206 milhões. E eu quero dizer mais uma coisa. Com a venda dos vagões e mais alguns materiais elétricos, o Estado já arrecadou R$ 915 milhões. Então nós estamos com um superávit de quase R$ 400 milhões. A Sinfra é transparente e republicana”, concluiu Marcelo.
A discussão ocorre em meio ao andamento das obras do BRT e ao debate sobre os custos da substituição do VLT, projeto abandonado pelo governo estadual e substituído pelo novo modal de transporte coletivo.

















