O deputado estadual Faissal Calil (PL) teve o celular apreendido pela Polícia Federal durante o cumprimento de mandado da Operação Gemini, deflagrada na manhã desta segunda-feira (8), para aprofundar investigações sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação ocorreu na residência do parlamentar, localizada no bairro Jardim Shangri-Lá, em Cuiabá. Após a saída dos agentes, Faissal falou com a imprensa e afirmou que colaborou integralmente com a operação.
Segundo o deputado, os policiais solicitaram apenas o aparelho celular e o acesso aos dados armazenados em nuvem.
“Eles queriam meu celular, eu dei na hora meu celular e acessei o iCloud. Pronto, pode fazer o que quiserem”, afirmou.
Faissal disse que recebeu os policiais “com tranquilidade” e negou qualquer envolvimento com as suspeitas investigadas.
“Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. Eu ainda não tenho conhecimento do teor da decisão. Estou pronto para esclarecer todos os fatos”, declarou.
Negou itens divulgados
Após a divulgação de imagens mostrando materiais apreendidos durante a operação — entre eles um fuzil com mira telescópica, uma pistola CZ Shadow com munições, um relógio Rolex Submariner e joias — Faissal afirmou que os objetos não pertencem a ele e não foram encontrados em sua casa.
“A arma não é aqui de casa, o Rolex não é aqui de casa, não tem joia aqui em casa, nem fuzil nada. Isso aí é mentira”, afirmou.
O parlamentar reforçou que, durante o cumprimento do mandado em sua residência, nenhum desses materiais foi localizado.
“Não acharam nada. Só levaram o celular”, disse.
Faissal também negou manter qualquer relação financeira com o desembargador investigado no caso.
“Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Isso aí não é verdade”, afirmou.
Ainda durante a entrevista, o deputado declarou que deseja que as investigações avancem rapidamente.
“Eu sou o mais interessado para que isso seja esclarecido o mais rápido possível”, disse.
Operação investiga venda de decisões
A Operação Gemini foi deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar investigações relacionadas a um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e ocultação de recursos de origem ilícita no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Além de buscas domiciliares, a PF cumpre medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
Entre os alvos da investigação estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos, Faissal Calil e outros investigados em Mato Grosso e São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

















