Caio Coppolla afirmou nesta quarta-feira (29), que a percepção da população sobre as causas do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil será determinante para os reflexos políticos da medida nas eleições presidenciais. Em passagem por Cuiabá, durante evento promovido pelo LIDE, o analista político criticou a condução da comunicação do governo federal sobre o tema e sustentou que o debate público tem ignorado, segundo ele, um impacto econômico mais relevante para o país: as restrições comerciais impostas pela China.
Ao falar se a sobretaxa norte-americana poderia favorecer ou prejudicar um eventual adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na disputa presidencial, Coppolla evitou apontar vencedores ou perdedores e direcionou sua análise para a forma como a sociedade interpreta a origem da medida.
“Na verdade, o mais importante sobre o tarifaço é a percepção da população sobre as causas dessa medida. Quando a gente fala no tarifaço dos Estados Unidos, estamos falando de 25% de sobretaxa, mas com uma lista de exceções de mais de 2 mil itens. Dependendo do cálculo, a tarifa média cai para algo entre 10% e 14%”, afirmou.
Na avaliação do analista, o foco da discussão nacional foi concentrado nas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, enquanto barreiras comerciais impostas pela China estariam recebendo pouca atenção, apesar de, segundo ele, representarem um impacto mais significativo para setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio de Mato Grosso.
“Pouca gente fala do tarifaço chinês, de 55% de sobretaxa, além da cota de importação de carne bovina brasileira. Esse é muito pior, coloca sob ameaça milhões de dólares em exportações nacionais. O debate público fica focado no tarifaço americano, enquanto o tarifaço chinês, que é mais preocupante do ponto de vista estratégico, geopolítico e da balança comercial, está sendo varrido para debaixo do tapete”, declarou.
Coppolla também criticou a estratégia de comunicação adotada pelo governo do presidente Lula, argumentando que a narrativa construída pelo Palácio do Planalto influencia a percepção popular sobre a responsabilidade pelas medidas econômicas. Segundo ele, a forma como os fatos são apresentados ao eleitor pode ser tão importante quanto as próprias decisões de governo.
“A comunicação é a alma do negócio. O secretário de Estado americano escreveu formalmente que a responsabilidade pelo tarifaço é das políticas do governo Lula, chegando a dizer que o presidente colocou o ego à frente do bem do país. Tudo parte da comunicação e de como as pessoas percebem a responsabilidade. Muitas vezes você cria o problema e vende a solução para ele”, disse.
Durante a entrevista, o analista ainda citou como exemplo a chamada “taxa das blusinhas”, classificando a medida como uma política tributária do governo federal que, segundo ele, poderá influenciar a avaliação do eleitorado sobre a gestão petista.
“Quem instituiu a taxa das blusinhas foi o governo do PT. Foi uma política endossada pelo ministro Fernando Haddad e pelo presidente Lula. Se, mais perto da eleição, essa medida for revogada, o governo pode tentar transmitir a imagem de um líder sensível ao clamor popular. Mas, se prevalecer a percepção de que o governo aumentou impostos, como ocorreu com dezenas de medidas de elevação da carga tributária, isso vai depender da habilidade de comunicação de cada campanha”, concluiu.



















