Um áudio divulgado pelo advogado Rodrigo Pouso, que representa a família do entregador por aplicativo Carlos Felipe Magalhães, de 34 anos, trouxe um novo elemento para a investigação sobre o caso em que a vítima foi baleada pela policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos, no bairro CPA IV, em Cuiabá.
Na gravação, atribuída à policial penal antes da ocorrência, ela relata que estava negociando a devolução do iPhone da filha e afirma que aguardava a chegada do homem que faria a entrega do aparelho.
“Eu tô esperando o momento certo”, diz em um dos trechos. Em seguida, acrescenta: “Ele pode até vir aqui em casa, de boa. Vai cair na boca do leão”.
Ao longo da conversa, a policial também afirma que estudava a melhor forma de abordar o suspeito. “Eu acho que vou arrumar um jeito de encontrar em outro local, e a gente dá o bote nele”, afirma. Em outro momento, reforça: “Agora ele tá aqui pertinho. Então aqui eu já tô preparada aqui, né? Tô só esperando ele vir”.
Para o advogado Rodrigo Pouso, as declarações reforçam a tese de que a ação foi previamente planejada e sustentam o pedido para que a policial penal responda por tentativa de homicídio qualificado.
Carlos Felipe foi baleado na noite do último dia 22 de julho. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele chega de motocicleta, para em frente à residência e estende o braço para entregar o telefone. Na sequência, Jorcenilma aparece com a arma em punho e ordena que ele se deite no chão.
Após os primeiros disparos, o entregador tenta fugir, mas continua sendo atingido até cair. Ele foi baleado no pulmão e permanece internado em estado grave, intubado e em coma induzido.
A versão registrada inicialmente no boletim de ocorrência apontava que Carlos Felipe estaria extorquindo a filha da policial e que teria tentado tomar a arma da servidora. No entanto, as imagens analisadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) não mostram qualquer tentativa de desarmamento ou reação da vítima.
Segundo o delegado Nilson Farias, responsável pelas investigações, as gravações alteraram o rumo do inquérito e indicam que o entregador foi atingido enquanto tentava fugir. O delegado afirmou que a dinâmica registrada pelas câmeras “beira uma execução”.
Jorcenilma compareceu à DHPP, mas exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. A Polícia Civil continua reunindo provas para concluir o inquérito, enquanto a defesa de Carlos Felipe pede a decretação da prisão preventiva da policial penal.



















