O prefeito Abílio Brunini (PL), detalhou em coletiva nesta quarta-feira (27), a investigação que apura possíveis irregularidades na Secretaria Municipal de Educação envolvendo a compra de materiais didáticos e livros. Segundo o gestor, as aquisições consideradas suspeitas podem ultrapassar R$ 70 milhões e tiveram os pagamentos imediatamente suspensos pela administração municipal.
Durante entrevista, Abílio afirmou que ainda não pode divulgar nomes de possíveis responsáveis, já que as investigações seguem em andamento.
“Quem cometeu eu não posso falar agora até que as investigações estejam concluídas. Porque se eu falo quem cometeu sem a conclusão das investigações, eu estou acusando essa pessoa”, declarou.
De acordo com o prefeito, a principal suspeita é de compras realizadas em excesso e sem necessidade técnica comprovada.
“Nós temos algumas suspeições de que foi feita aquisição de material, livros principalmente, em excesso, de forma desnecessária, e o montante das aquisições pode ultrapassar R$ 70 milhões”, afirmou.
Abílio classificou o caso como “um absurdo” e informou que a Prefeitura já iniciou uma ampla apuração interna para identificar como os contratos foram conduzidos e se houve direcionamento dentro da estrutura da Secretaria de Educação.
“Nós estamos investigando o que houve. Se houve orientação da diretoria de ensino, se houve orientação de alguém. Não pode fazer uma aquisição nesse montante de forma equivocada e desnecessária”, disse.
Segundo o prefeito, a investigação será encaminhada para órgãos de controle e fiscalização, incluindo a Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
“Todos os órgãos de controle vão apurar se houve uma irregularidade de fato e, se houve, como reparar o dano”, pontuou.
O prefeito também informou que parte dos valores já havia sido quitada antes da suspensão.
“Já pagaram 20 milhões. Assim que identificamos a irregularidade desse fluxo, suspendemos todos os pagamentos e todos os trâmites de contratação”, afirmou.
Outro ponto detalhado por Abílio foi a suposta incompatibilidade entre as justificativas técnicas apresentadas para as compras e o conteúdo efetivamente entregue. Segundo ele, alguns materiais foram defendidos como obras especializadas, mas apresentavam baixa complexidade técnica.
“Na hora que a gente pega o material, o material é feito com inteligência artificial, não tem nada demais no material. Qualquer pessoa poderia ter feito esse material. Então a justificativa técnica e o material entregue são contraditórios”, declarou.
O prefeito ainda criticou os valores previstos nos contratos, afirmando que alguns livros chegariam a custar R$ 800 por unidade.
“Nós não aceitamos isso”, reforçou.
Abílio garantiu que as aquisições investigadas ocorreram antes da atual gestão do secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira, e atribuiu a descoberta das suspeitas ao setor de monitoramento da Prefeitura, em conjunto com auditorias internas conduzidas na pasta.
“Nosso setor de monitoramento e investigação identificou essas irregularidades. Fiz uma reunião de urgência junto com a auditoria que o Reginaldo está fazendo dentro da Secretaria de Educação e apontamos essas suspensões”, explicou.
O prefeito também anunciou a nomeação de um novo adjunto de monitoramento e auditoria para atuar na Secretaria de Educação. Segundo ele, Rodrigo, servidor com experiência na Polícia Civil, foi designado para auxiliar nas investigações sobre contratos e aplicação de recursos públicos na pasta.
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