O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), comentou nesta sexta-feira (7) a operação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-governador Mauro Mendes (União) e afirmou que a apuração de eventuais irregularidades é atribuição legítima da corporação. No entanto, ele criticou o vazamento antecipado de informações sobre a ação, avaliando que a divulgação prévia comprometeu a credibilidade e a condução da investigação.
Segundo Abílio, a Polícia Federal deve investigar qualquer denúncia que considere pertinente, mas o fato de detalhes da operação terem circulado antes do cumprimento dos mandados prejudicou o procedimento. O prefeito lembrou que lideranças políticas chegaram a mencionar publicamente a data em que a ação seria deflagrada.
“Eu acho que a investigação é o papel da Polícia Federal de fazer mesmo. Ela tem que fazer investigação sobre qualquer acusação, denúncia, do qual eles entendem que deve ser feito. Agora, o que eu entendo de ruim para esse processo de investigação é o vazamento até da data. Porque parece que alguém, não sei se o Pedro Taques ou o Jayme, já dizia que a investigação, que a operação ia acontecer até o dia 5. Estavam dando várias entrevistas falando que ia acontecer”, declarou.
O prefeito também afirmou acreditar que a antecipação das informações contaminou o andamento da operação, sobretudo por ocorrer em um contexto eleitoral. Na avaliação dele, a investigação trata de fatos antigos e, por isso, o momento da deflagração acabou gerando questionamentos.
“Eu acredito que contaminou o processo da investigação, prejudicou um pouco o procedimento deles. Não vejo que talvez seja interesse da Polícia Federal fazer isso, até porque eles têm o interesse de fazer a preservação da imagem dele. Mas quem conduziu esse processo ao passar informações, imagino que informações privilegiadas da circunstância, ou transformar isso em um ato político, acabou prejudicando todo o trabalho da investigação”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de adversários políticos do ex-governador, como o ex-governador Pedro Taques e o senador Jayme Campos, terem influência na divulgação antecipada da operação, após Mauro Mendes citar ambos, além da deputada Janaína Riva, em vídeo publicado nas redes sociais, Abílio evitou fazer acusações.
Ele disse não ter elementos para responsabilizar qualquer pessoa, mas voltou a destacar que o vazamento de informações comprometeu a seriedade da ação policial.
“Eu não posso afirmar, mas eu acho que quem saiu falando que já aconteceria no dia 5, que já aconteceria tal hora, já falaram até como seria. Então eu acho que isso acaba trazendo prejuízo à operação, porque essa informação, geralmente ninguém quer fazer uma operação com data marcada, com hora marcada, avisada para todo mundo. Eu acho que prejudica o processo. Agora, quem foi que fez isso, quem orientou, eu não posso afirmar, eu não tenho conhecimento sobre isso. Eu só acho que prejudicou muito a seriedade da operação”, concluiu.
Durante a entrevista, Abílio também fez referência a outra investigação de grande repercussão envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao defender que operações policiais devem ocorrer com discrição e sem vazamentos, para preservar a efetividade das investigações e evitar que sejam interpretadas como instrumentos de disputa política.
















